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Maratona negocial em Doha: ponto de situação às 15h (12h em Portugal)

Sexta-feira, 07.12.12

O Presidente da COP, Abdullah bin Hamad al Attiyah, pediu a cada um dos negociadores dos grupos de trabalho que estão a preparar textos negociais para serem aprovados pelos ministros um ponto de situação:

Protocolo de Quioto: vão continuar trabalho, há preocupações das Partes; nova versão tem de estar pronta hoje porque colega vai-se embora amanhã; todos concordam que temos de terminar hoje e é necessária uma package equilibrada e não é possível satisfazer a todos; para termos uma boa continuação do Protocolo de Quioto, há que ligar ainda aos trabalhos de LCA e ADP.

Finanças: com base no texto de ontem à noite há ainda diferenças entre países mas há espírito para continuar o trabalho; vão rever texto com base nas consultas feitas e vão ainda fazer novas consultas depois; antes das 17h farão ponto de situação.

LCA (Cooperação de Longo Prazo – grupo que deverá terminar nesta COP): trabalharam toda a noite; consideram que têm um pacote equilibrado de cada um dos assuntos e de forma global.

ADP (Plataforma de Durban – futuro acordo 2015 e mitigação para 2020): plano de trabalhos feito; quase todos os assuntos estão encaminhados e para apresentação após o LCA; há três assuntos complexos: referência no preâmbulo relativo à Rio+20, ambição pré-2020 e temas de workshops; vão trabalhar ainda no texto.

Perdas e Danos (L&D): nenhuma das opções em cima da mesa foram aceites como início; fez texto de compromisso para ver como se consegue prosseguir e considera acordo possível.

Centro Tecnológico para o Clima: há acordo para todas as partes participarem e de forma equilibrada.

Mecanismos: realizaram-se reuniões bilaterais entre países e há entendimento entre as Partes.

Presidente COP: nesta fase do ponto de situação considerou que os contornos do “pacote de Doha” estão a ficar claros e estão encaminhados.

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Vários grupos de países pronunciaram-se também:

G77+China: consideram que houve progresso mas ainda vários assuntos por resolver e há algum desapontamento no pacote de Doha.

Umbrella group (EUA, Canadá, Austrália, Argentina, entre outros): forte oposição num conjunto de assuntos relativos a LCA.

BASIC (Brasil, África do Sul, Índia, China): não concordam com muitos dos aspetos do pacote mas estão abertos a consenso.

União Europeia: há bom progresso mas o tempo está a terminar; é necessário que os ministros cruzem perspetivas, em particular em relação ao período pré-2020 e que a ambição seja maior; não há concordância em relação aos aspetos de mitigação, novos mecanismos de mercado, mitigação; concordam com os moldes de continuação do Protocolo de Quioto, mas mais uma vez há que cruzar visões. No que está muito desapontada é na área de perdas e danos, onde considerou que o trabalho dos últimos anos pode estar perdido; considera que se deve avançar já para o debate à escala ministerial.

Suíça (“integrity group”): é preciso mais progresso; considera que é preciso um trabalho negocial e acima de tudo já ministerial.

AOSIS (Estados pequenas ilhas): estão desapontados; pouca ambição e ação. Consideram que é preciso pressa, mas tal não pode resultar num resultado negativo.

LDCs (países menos desenvolvidos): estão desiludidos, querem ir para casa com algo satisfatório em que a urgência não pode pôr em causa os objetivos de ambição em relação ao clima.

Filipinas: preocupação em relação à ambição; no protocolo de Quioto, não querem que o “ar  quente” possa continuar a ser considerado; muito críticos em relação ao texto da LCA; consideram que é preciso fazer muito mais nas próximas horas.

África: nível de ambição é reduzido mas considera que ainda é possível atingir compromisso que não deve por em causa a integridade da proteção do clima.

Houve outras intervenções da Venezuela (ALBA – alguns países da América Central e Latina como Venezuela, Bolívia, Cuba, Equador, entre outros), Bolívia e Rússia.

Venezuela mencionou falta de ambição; Bolívia opôs-se a que países fora de Quioto possam usar mecanismos.

O Presidente da COP18 considerou depois que em relação à Plataforma de Durban (ADP) se devem envolver desde já os ministros diretamente nas negociações; quer concluir grupo LCA tão rapidamente quanto possível e pediu trabalho intenso na área da continuação do Protocolo de Quioto, bem com nos grupos sobre finanças e perdas e danos.

Novo ponto de situação em plenário pelo Presidente da COP às 18h no Qatar (15h de Portugal)

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por Quercus às 12:06





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