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É tempo de acabar com os subsídios aos combustíveis fósseis

Sexta-feira, 30.11.12

No início deste ano, as associações de ambiente ficaram encantadas com as várias apresentações referindo que a remoção dos subsídios aos combustíveis fósseis era um contributo substancial para aumentar o nível de ambição da redução de gases com efeito de estufa (GEE) ainda antes de 2020. Nessa altura cerca de 110 países apoiaram a reforma dos subsídios aos combustíveis fósseis como forma de conseguir uma maior ambição na mitigação de GEE e combate às alterações climáticas.

Mas no caminho para Doha, este compromisso foi esquecido… Ontem de manhã, apesar de horas de discussão, o tópico dos subsídios aos combustíveis fósseis ainda não tinha integrado a agendas do grupo de trabalho que está a preparar o próximo acordo climático global para 2015 (ADP).

Felizmente nem todos os países se esqueceram e no fim da tarde a discussão no grupo de trabalho da ADP deixou alguma esperança no ar. Vale assim a pena hoje agradecer às Filipinas, Costa Rica e Suíça por reconhecerem esta importante oportunidade para uma redução adicional de emissões.

A Agência Internacional de Energia refere que o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis pode fechar o fosso existente entre o nível de ambição de redução de GEE prometido e o necessário até 2020, no objetivo de limitar o aquecimento global a 2ºC.

É claro que não vai ser fácil o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis, mas o primeiro passo é reconhecer o potencial e começar o trabalho. Os países ricos devem acabar com os subsídios aos produtores e tão rapidamente quanto possível. Os países em desenvolvimento devem ser apoiados na eliminação dos subsídios aos combustíveis fósseis, de forma a garantir a proteção às populações mais pobres para os pobres e promover a melhoria no acesso à energia.

Há mais de três anos que os países do G20 e da APEC (Associação de Cooperação Económica da Ásia-Pacífico) concordaram em eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis, e a conferência Rio+20 também referiu a necessidade da reforma destes subsídios. O grupo de trabalho ADP pode ajudar a elevar mais estes esforços reconhecendo a necessidade da reforma destes subsídios de combustíveis fósseis, como um meio para alcançar um maior ambição no combate às alterações climáticas mesmo antes de 2020.

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por Quercus às 18:41

Mais dois "Fósseis do Dia": Polónia e Rússia

Sexta-feira, 30.11.12

A Polónia, país que irá receber a próxima Conferência do Clima, venceu ontem o “Fóssil do Dia”, o galardão da Rede de Ação Climática (CAN) para os países com pior comportamento nas negociações climáticas. A distinção deve-se à postura do país sobre a utilização das unidades de quantidade atribuída (AAU, na sigla em inglês), licenças de emissão excedentárias do primeiro período de compromisso do Protocolo de Quito. As ONG defendem que estes excedentes não devem transitar para o segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto, mas a Polónia, a par da Rússia e da Ucrânia, não quer prescindir dessas licenças.

O segundo lugar foi para a Rússia, após o vice-primeiro-ministro russo ter confirmado na quarta-feira que não vai aderir ao segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto. Esta ausência significa que o país ficará de fora dos futuros projectos de Implementação Conjunta (JI), cenário que segundo a CAN terá um efeito negativo sobre a economia e sobre um desenvolvimento de baixo carbono na Rússia.

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por Quercus às 13:03

80 mil belgas cantam pelo clima

Quinta-feira, 29.11.12

Mais de metade dos municípios belgas aderiam à iniciativa “Cante pelo clima”, uma manifestação cantada que decorreu nos últimos meses e que culminou num fim-de-semana especial a 22 e 23 de Setembro. O resultado são mais de 80 mil vozes belgas a cantar o tema “Do it now” e a pedir à comunidade internacional que assuma compromissos concretos contra as alterações climáticas.

O tema foi baseado na canção italiana "Bella Ciao" e as filmagens obtidas em mais de 180 cidades e comunidades foram agora compiladas no videoclip final pelo realizador Nic Balthazar. Além de ter já sido transmitido às autoridades belgas na véspera da COP18, o vídeo será igualmente mostrado nos próximos dias em Doha, no Qatar. Espreite a letra e junte-se ao coro! Mais sobre a iniciativa em www.singfortheclimate.com.

Letra (em inglês):

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por Quercus às 18:58

ONG pedem mais ambição aos ministros e delegados presentes na COP18

Quinta-feira, 29.11.12

Um grupo de 156 organizações não governamentais de 74 países, entre as quais a Quercus, pediu hoje aos países reunidos na COP18, em Doha, no Qatar, para aumentarem significativamente os seus compromissos de redução de emissões de gases com efeito de estufa (GEE) e para acabarem com as lacunas existentes entre os objetivos de redução propostos e os necessários no âmbito do Protocolo de Quioto. Se isso não acontecer, avisam, não teremos hipótese de evitar os efeitos catastróficos das alterações climáticas.

Na carta enviada (ver em inglês, francês, ou espanhol), as ONG insistem que é fundamental acabar com as licenças de emissão excedentárias que transitaram do primeiro para o segundo período de cumprimento do Protocolo de Quioto, também conhecidas por “ar quente”. Pedem também restrições na concessão e utilização de créditos de emissão decorrentes do sistema de Implementação Conjunta (JI) e do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (CDM), um sistema que dizem não ter supervisão adequada, nem oferecer as salvaguardas previstas nas normas internacionais de direitos humanos.

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por Quercus às 17:34

Última chamada para o transporte internacional

Quinta-feira, 29.11.12

Os países têm hoje a última hipótese para fazer progressos sobre as emissões do transporte internacional marítimo e aéreo, que já contribuem com mais de 5% das emissões globais e está a crescer como mais nenhum outro setor.

Mais de 15 anos de negociações em três órgãos da ONU, incluindo a Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês) e nas associações sectoriais, Organização Internacional Marítima e na organização Internacional da Aviação Civil (IMO e ICAO, respetivamente nas sigla em inglês) têm produzido muito poucos progressos, especialmente nas medidas de mercado que podem incentivar a redução de emissões, gerar receitas para ações de mitigação e adaptação nos países em desenvolvimento e também incentivar medidas de eficiência energética nestes setores.

O principal obstáculo tem sido o desacordo sobre como conciliar os princípios da UNFCCC de partilha de responsabilidades comuns mas diferenciadas e respetivas capacidades, com os princípios e abordagens da IMO e da ICAO, com base em abordagens globais com tratamento equivalente para todos os navios e aviões, em qualquer lugar em todo o mundo.

O trabalho técnico no explorar de opções para colocar um preço sobre o carbono nestes sectores tem um bom avanço, mas a falta de acordo sobre a forma de conciliar os diferentes princípios está a bloquear o progresso. Hoje, o grupo de trabalho em abordagens sectoriais está a analisar o texto que aborda exatamente este problema, e um bom texto sobre a mesa pode ser a chave para quebrar este impasse de longa data.

Singapura propôs um texto curto e elegante que pode fornecer a base para uma orientação útil para IMO e ICAO. Os delegados em Doha devem simplesmente concordar aqui, no âmbito da UNFCCC, que as medidas para combater as emissões dos setores marítimo e de aviação devem ser prosseguidas através de abordagens globais com base nos princípios da IMO e da ICAO, tendo também em conta os princípios da UNFCCC, talvez com orientação sobre como o fazer - por exemplo, através do uso de financiamento. Esta pode ser uma solução simples que poderá ser um grande salto em frente para estes sectores cruciais no combate às alterações climáticas.

Adaptado do artigo LCA's Final Boarding Call for International Transport, publicado na quarta edição do boletim ECO, Doha, da Rede de Acção Climática, também disponível em PDF.

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por Quercus às 15:38

Não há conferências do clima sem os prémios “Fóssil do Dia”

Quarta-feira, 28.11.12

À semelhança de conferências anteriores, as organizações não-governamentais (ONG) presentes na COP18, em Doha, no Qatar, atribuem diariamente o galardão “Fóssil do Dia” (Fossil of the Day) aos países com pior comportamento negocial. A iniciativa da Rede de Ação Climática (CAN, na sigla inglesa para Climate Action Network) teve início na segunda-feira, com o galardão a ser entregue aos Estados Unidos, Canadá, Rússia, Japão e Nova Zelândia, pelo seu afastamento de um tratado multilateral vinculativo e do próprio Protocolo de Quioto.

Ontem foi a vez da Turquia, país que é o quarto maior investidor do mundo em carvão e teve a maior taxa relativa de crescimento das emissões anuais de gases com efeito estufa (GEE) entre 1990 e 2010. A justificar a distinção está ainda a postura do governo turco ao nomear 2012 como o “Ano do Carvão”, e a afirmação de que não cumprirá as metas no segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto. O segundo lugar foi para a União Europeia (UE), que já atingiu a promessa de 20% de redução até 2020 e, segundo a CAN, não deve permanecer mais uma década sem novas metas mais ambiciosas.

Esta quarta-feira, o país agraciado com o primeiro lugar foi o Canadá, pela intenção de restrição do financiamento aos países do terceiro mundo e pelas posições contra novos compromissos com metas mais ambiciosas. O ministro do ambiente terá dito em conversas informais que os países em desenvolvimento não devem contar com mais recursos canadianos para financiar medidas de adaptação às alterações climáticas. As ONG acusam o Canadá de fazer o contrário do que deve: está a cortar no financiamento e a aumentar as emissões.

Em segundo lugar ficou a Nova Zelândia, por não definir a sua meta de redução para o segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto, e por propor que o acesso ao Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) deve ser aberto a todos e não depender da assinatura de um segundo período de compromisso. Finalmente, em terceiro lugar, ficaram os Estados Unidos, por mais uma vez rejeitar medidas exigentes de redução das emissões de GEE e pela assinatura, ontem, pelo presidente Obama, de uma lei que permite às empresas aéreas do país não cumprir os regulamentos europeus para voos dentro e fora da UE. Mais em http://climatenetwork.org/fossil-of-the-day

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por Quercus às 19:34

Estourar a bolha de ar quente!

Quarta-feira, 28.11.12

Umas impressionantes 13 mil milhões licenças de emissão (AAU) de gases com efeito de estufa (GEE) vão sobrar do primeiro período de compromisso do Protocolo de Quioto. Estas licenças, chamadas também de “ar quente”, são uma ameaça à integridade do segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto e de qualquer futuro acordo climático.

É preciso relembrar que estas emissões “sobraram” devido às emissões previstas terem ficado muito abaixo das verificadas. A Polónia, por exemplo, tem um compromisso de uma redução de 6% em relação às emissões de 1988, apesar do facto de em 1997, quando as metas de Quioto foram estabelecidos, as emissões da Polónia já serem 20% abaixo dos níveis de 1988.

As ONG alertam para não se cair na falsa afirmação de que o “ar quente” seja resultado de uma forte dedicação ao corte de emissões. Não o é e a queda económica não pode ser motivo para os países herdarem direitos de emissão. Se isto acontecer vai assistir-se a uma queda vertiginosa do preço atribuído às licenças de emissão.

O problema é tão grande que, mesmo se os países desenvolvidos aumentarem os compromissos de redução no segundo período de compromisso, não precisam de reduzir emissões, bastará comprar licenças de emissão excedentárias de outros. Para restituir parte da integridade ambiental neste segundo período é necessário estourar a bolha de ar quente. A proposta do G77 e China é a de cancelar a decisão de que as emissões excedentárias transitem entre períodos de compromisso.

Vale a pena este caminho? Certamente que sim. Neste momento estamos num caminho de poluição que poderá levar a um aquecimento de 4º C ou mais. Além disso, os impactos associados a um aumento mesmo de 2º C foram revistos em alta e agora são considerados "perigosos" e "extremamente perigosos". Um mundo para além 2º C vai ameaçar a própria existência da civilização como a conhecemos. Ouviu falar? Preocupado? Então vamos estourar a bolha de ar quente!

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por Quercus às 17:40

Presidente Obama - Temos esperança na mudança

Terça-feira, 27.11.12

No seu discurso de vitória, o presidente Barack Obama depois de ter sido reeleito para um segundo mandato, aumentou a esperança da população mundial quando disse: "Queremos que as nossas crianças a viver numa América que não é castigada pela dívida, que não é enfraquecida pela desigualdade, que não é ameaçada pelo poder destrutivo do aquecimento do planeta". Essa esperança continuou a aumentar quando numa conferência de imprensa alguns dias mais tarde, ele respondeu a uma pergunta da comunicação social sobre o clima, dizendo que planeava iniciar "uma conversa em todo o país" para ver "como podemos ter uma agenda que acumule apoio bipartidário e a faça avançar (...) e ser um líder internacional" nas alterações climáticas. O Presidente Obama pareceu entender que a mudança climática é uma questão de herança que não foi devidamente tratada durante o seu primeiro mandato.

A questão, portanto, tem de ser o que vem depois. Neste segundo mandato, o presidente Barack Obama vai tomar a ação ousada necessária para reduzir a ameaça das mudanças climáticas para os EUA e para o mundo, mudando a economia dos EUA rumo a um futuro de carbono zero, e tornando a questão uma peça central da política externa dos EUA? No rescaldo da supertempestade Sandy, e a seca, incêndios e outros eventos climáticos extremos que atingiram os EUA no último ano, é claramente o tempo para o presidente Obama pressionar o botão de reset na política climática, tanto a nível nacional como internacional.

Primeiro, o mundo precisa de ouvir do presidente e da sua equipa de negociação em Doha que permanecem totalmente comprometidos com a manutenção de um aumento da temperatura global abaixo de 2 graus, que é não só possível, mas ainda essencial, e que os EUA vão também liderar neste esforço coletivo.

A administração deve deixar claro como vai cumprir a sua meta de redução de 17 por cento em relação a 2005. Enquanto as emissões dos EUA estão diminuindo ligeiramente - tanto como resultado das políticas do governo sobre energias renováveis e às normas relativas à economia de combustível, mas também por causa da forte queda dos preços de gás natural que reduziram o uso do carvão para a produção de eletricidade - é pouco provável que, sem regulamentação adicional ou legislação que os EUA vão cumprir a sua meta de 2020, nomeadamente face à expansão da exploração de petróleo comprimido e gás de xisto. A delegação americana deve também esclarecer o que a administração Obama vai fazer para colocar os EUA no caminho certo para a quase eliminação das emissões até meados do século, um apelo sistemático da comunidade científica.

Finalmente, as delegações precisam ouvir que os EUA continuam empenhados em cumprir a sua justa parte do compromisso de Copenhaga de mobilização de 100 mil milhões de dólares de financiamento para o clima por ano até 2020, bem como as opções de financiamento inovadoras que a administração está disposta a apoiar para chegar lá.

Estas quatro etapas são um longo caminho para restaurar a diplomacia climática dos EUA. É necessário mostrar que o país, em vez de contribuírem para mais danos no planeta, o presidente Obama e sua equipa estão a comprometer os EUA naquilo que a ciência e o mundo exigem para evitar uma mudança climática catastrófica.

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por Quercus às 12:18

Expectativas da Rede de Ação Climática para Doha

Terça-feira, 27.11.12

Expectativas Para Doha COP18[Resumo em inglês] [Documento integral em inglês]

A Rede de Ação Climática (CAN, na sigla em inglês) é a maior rede mundial da sociedade civil, com mais de 700 organizações em 90 países, que trabalham em conjunto na promoção da ação governativa para lidar com a crise climática. A Quercus é membro da CAN Internacional fazendo parte do núcleo regional da Europa, a CAN Europa.

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por Quercus às 11:45

Curta sessão de abertura marca início da COP18

Segunda-feira, 26.11.12

Eram 10h21 no Qatar (7h21 em Portugal) quando a Ministra das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul e Presidente da anterior Conferência que ocorreu em Durban há um ano passou o testemunho para o novo Presidente Abdullah bin Hamad Al-Attiyah do Qatar. Mencionou os principais objetivos conseguidos, a decisão sobre a continuação do Protocolo de Quioto, o lançamento do Fundo Climático Verde, e acima de tudo o estabelecimento de um roteiro para um novo acordo. “Estamos todos aqui sabendo que o nosso futuro depende do nosso trabalho aqui e está ligado à nossa sobrevivência. Contem comigo.”

O Presidente eleito Al-Attiyah fez um discurso curto e pouco emotivo mencionando apenas no entanto que “esta conferência é um ponto de viragem nas negociações sobre alterações climáticas”. Figura polémica por ter sido Presidente da OPEP e estar intimamente ligado aos negócios do petróleo, vai ter pela frente não apenas um trabalho negocial complicado mas também a necessidade de demonstrar uma efetiva imparcialidade.

 Por último, Christiana Figueres, Secretária-Executiva da Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, mencionou os desafios que estão pela frente nesta conferência que se realiza pela primeira vez no Golfo Pérsico. Para além de mencionar os desafios pela frente e o papel dos negociadores, terminou dizendo que esta conferência poderia fazer história e terminar na data prevista, sexta-feira, dia 7 de Dezembro. Qualquer conhecedor destas lides sabe que tal será quase impossível!

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por Quercus às 08:12

Cimeira do Clima começa 2ª feira

Sábado, 24.11.12

É urgente decidir e agir!

Começa segunda-feira, dia 26 de Novembro, em Doha, no Qatar, e prolonga-se até dia 7 de Dezembro (eventualmente estendendo-se até domingo, dia 9), a mais importante reunião anual mundial sobre clima, a 18ª Conferência das Partes (COP18) da Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas.

Os acordos alcançados em Durban, em 2011, relançaram a esperança em ultrapassar a desilusão que marcou a Cimeira de Copenhaga em 2009. Há assim a possibilidade de recolocar o mundo num caminho de emissões reduzidas, pronto para tirar partido das oportunidades que surgem pelos novos mercados e inovação tecnológica das tecnologias limpas, pelo investimento, emprego e crescimento económico.

Contudo esta janela de oportunidade estará aberta por pouco tempo. Para tirar partido deste potencial são necessárias ações decisivas na COP18. O nível de ambição a curto prazo tem de ser mais elevado e é imperativo que seja acordado um calendário de negociações de modo a alcançar um regime climático global justo, ambicioso e vinculativo em 2015.

As principais expectativas para Doha [mais aqui]

Estes são alguns dos elementos essenciais que devem ser concluídos em Doha:

  • Acordar um aditamento de um segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto (PQ), aplicado a apenas parte dos países desenvolvidos – União Europeia, Noruega, Suiça, Austrália e Nova Zelândia -, com um objetivo de redução de emissões de GEE entre os 25% e 45%, com base nas emissões de 1990.
  • Os países desenvolvidos que não têm obrigações no âmbito do PQ devem demonstrar que conhecem as suas responsabilidades através da adoção de compromissos rigorosos e quantificáveis de redução de emissões de GEE, num esforço comparável e transparente em relação aos países com compromissos no âmbito do PQ.
  • Acordar que o pico global de emissões será alcançado em 2015, o que significa que os países desenvolvidos precisam de reduzir as suas emissões de forma mais rápida e providenciar apoio aos países em desenvolvimento para que estes possam tomar mais medidas de mitigação.
  • Os países em desenvolvimento devem registar as suas ações de mitigação, para além de assumirem reduções voluntárias, incluindo-se aqui o Qatar.
  • Os países desenvolvidos devem assumir um compromisso de financiamento público entre 2013-2015 para o Fundo Verde para o Clima.

Quercus em Doha a partir de 30 de Novembro - blog, facebook e twitter darão conta dos desenvolvimentos relevantes na negociação

A Quercus fará parte da delegação oficial de Portugal como organização não governamental de ambiente e Francisco Ferreira, coordenador do Grupo de Energia e Alterações Climáticas, estará presente a partir de 30 de Novembro. A Quercus irá acompanhar os trabalhos ao longo de toda a Conferência e anunciar diversos relatórios em que participou e que serão lá divulgados, também em Portugal. [comunicado integral em PDF]

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por Quercus às 11:05

UNEP: Relatório afirma que planeta vai aquecer 3-5ºC

Sábado, 24.11.12

O relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP, na sigla em inglês) “The Emissions Gap Report 2012” afirma que mesmo se com o nível mais ambicioso de promessas e compromissos fossem implementados por todos os países sob o mais estrito conjunto de regras, haveria ainda uma diferença de 8 Giga-toneladas (Gton) de CO2-equivalente até 2020. 

As avaliações económicas preliminares, com destaque no relatório deste ano, estimam que a inércia de não atuar face às alterações climáticas vai desencadear custos mais elevados de pelo menos 10 a 15 a partir de 2020, se as reduções de emissões necessárias forem adiadas para as décadas seguintes.

Achim Steiner, Sub-Secretário Geral e Diretor Executivo do PNUMA, disse que "há duas realidades presentes neste relatório: é possível anular com as políticas e tecnologias existentes a lacuna entre o corte de emissões previsto e o necessário; há muitas ações inspiradoras que ocorrem ao nível nacional de eficiência energética em edifícios, investimento em florestas para evitar emissões ligadas ao desflorestamento; e as normas de emissões de veículos novos ao lado de um notável crescimento no investimento em novas energias renováveis em todo o mundo, que em 2011 totalizaram cerca de US$ 260.000 milhões.” “No entanto, o facto preocupante é que a transição para uma economia de baixo carbono está a acontecer muito lentamente e a oportunidade de ficar nas 44 Gton em 2020 está a diminuir anualmente", acrescentou.

"Enquanto os governos trabalham para negociar um novo acordo climático internacional para entrar em vigor em 2020, é urgente carregar com pé firme no acelerador e cumprir os compromissos entretanto assumidos sobre transferência financeira, tecnológicas, entre outros, no âmbito da Convenção das Nações Unidas sobre o clima. Há também uma ampla gama de medidas complementares voluntárias que pode que pode fazer a ponte entre a ambição e a realidade agora do que mais tarde ", disse Steiner.

O relatório estima que há um potencial de redução de emissões de 17 Gton de CO2-eq em setores como edifícios, geração de energia e transportes que podem oferecer mais ainda do que apenas fechar o fosso até 2020.

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por Quercus às 10:41

China divulga relatório e defende crescimento das emissões de carbono

Sexta-feira, 23.11.12
 

O principal negociador chinês, Xie Zhenhua, que estará na COP18, afirmou ao The Guardian que as emissões continuarão a subir até o PIB chinês aumentar cerca cinco vezes em relação ao valor atual. Xie Zhenhua disse que seria injusto e irracional esperar cortes nas emissões quando o PIB per capita é de US$5.000, acrescentado que os atuais países desenvolvidos atingiram o pico das suas emissões quando o PIB per capita estava entre os US$40.000 e os US$50.000. Porém, este representante chinês prevê que o pico das emissões chinesas aconteça quando o PIB per capita for metade do mundo industrializado, estabilizando e depois começando a cair.

Estas declarações acontecem na mesma altura em que é conhecido o relatório da República Popular da China, “para permitir que todas as partes compreendam a China, ações e políticas sobre as alterações climáticas, e divulgar os resultados positivos alcançados desde 2011.”

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por Quercus às 10:45

Agência Europeia do Ambiente: evidência das alterações climáticas em toda a Europa confirma necessidade urgente de adaptação

Quarta-feira, 21.11.12

A Agência Europeia do Ambiente alerta numa avaliação publicada hoje que as alterações climáticas estão a afetar todas as regiões da Europa, causando múltiplos impactos na sociedade e no ambiente, e que no futuro os danos poderão ter custos elevados.

O relatório «Climate change, impacts and vulnerability in Europe 2012» (Alterações climáticas, impactos e vulnerabilidade na Europa 2012) conclui que se têm observado temperaturas médias mais elevadas a nível europeu, bem como uma diminuição da precipitação nas regiões meridionais do continente, em paralelo com o seu aumento no norte da Europa. O manto de gelo da Gronelândia, o gelo do mar Ártico e muitos glaciares da Europa estão em fusão, o manto de neve reduziu-se e a maioria dos pergelissolos aqueceu.

Nos últimos anos, fenómenos climáticos extremos, como as vagas de calor, as inundações e as secas, têm causado crescentes prejuízos materiais em toda a Europa. Embora sejam necessários mais dados para determinar o papel desempenhado pelas alterações climáticas nesta tendência, sabe-se que o aumento da atividade humana em zonas de risco é um fator fundamental. É previsível que as alterações climáticas agravem esta vulnerabilidade no futuro, à medida que os referidos fenómenos aumentam em intensidade e frequência. Se as sociedades europeias não se adaptarem, será inevitável que os prejuízos continuem a aumentar.

O relatório assinala que algumas regiões terão menos capacidade de adaptação do que outras, em parte devido às disparidades económicas existentes na Europa, e que os efeitos das alterações climáticas poderão aprofundar ainda mais essas desigualdades.

"As alterações climáticas são uma realidade em todo o mundo e a sua dimensão e rapidez são cada vez mais evidentes. Em consequência, é necessário que todos os setores da economia, incluindo o dos particulares, se adaptem e reduzam as emissões", salienta Jacqueline McGlade, diretora executiva da AEA.

Alterações climáticas observadas e projeções futuras: alguns resultados fundamentais

A última década (2002–2011) foi a mais quente de que há registo na Europa, com uma temperatura terrestre 1,3° C superior à da média pré-industrial. Várias projeções obtidas a partir de modelos indicam que, na parte final do século XXI, a Europa poderá ter uma temperatura 2,5–4° C superior à média registada no período de 1961 a 1990.

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por Quercus às 14:37

Principais investidores pedem acção global contra os perigos das alterações climáticas

Terça-feira, 20.11.12

Os maiores investidores do mundo pediram hoje aos governos que intensifiquem a sua acção contra as alterações climáticas e que aumentem o investimento em energia limpa, por forma a evitar um impacto que custaria milhões à economia. Numa carta aberta citada pela agência Reuters, o grupo de investidores institucionais que representa 22,5 biliões de dólares em activos disse que o aumento das emissões de gases com efeito estufa e um clima mais extremo estão a aumentar os riscos para o investimento global. Na véspera do arranque de mais uma Conferência do Clima, em Doha, no Qatar, os investidores pedem aos governos que reformulem as políticas climáticas e energéticas.

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por Quercus às 19:12

A história das negociações climáticas em 83 segundos

Terça-feira, 20.11.12

Como evoluíram as negociações internacionais sobre alterações climáticas? O CICERO (Center for International Climate and Environmental Research – Oslo) resume a complexidade do assunto neste animado vídeo de 83 segundos:


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por Quercus às 18:22

OMM: Concentração de GEE atinge novo recorde

Terça-feira, 20.11.12

A concentração de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera atingiu um novo recorde em 2011, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM). Entre 1990 e 2011 houve um aumento de 30% do forçamento radiativo – a retenção de radiação pelos gases – devido ao dióxido de carbono (CO2) e outros gases de efeito de estufa.

Desde a era pré-industrial, já foram libertadas para a atmosfera cerca de 375 mil milhões de toneladas de CO2, principalmente pela queima de combustíveis fósseis. Cerca de metade desse dióxido de carbono permanece na atmosfera, sendo o restante absorvido pelos oceanos e pela biosfera terrestre. "Esses mil milhões de toneladas de dióxido de carbono adicional na atmosfera vão permanecer lá por séculos, fazendo com que nosso planeta aqueça ainda mais, com impacto sobre todos os aspetos da vida na Terra", disse o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud.

As emissões futuras só irão piorar a situação

"Até agora, os sumidouros de carbono (florestas) absorveram quase metade do dióxido de carbono emitido para a atmosfera, mas isso não vai necessariamente continuar no futuro. Já vimos que os oceanos estão a tornar-se mais ácidos como resultado da absorção do CO2, com possíveis repercussões para a cadeia alimentar submarina e recifes de coral. Há muitas interações adicionais entre os GEE, a biosfera terrestre e os oceanos, e precisamos aumentar a nossa capacidade de monitorização e de conhecimento científico, a fim de entender melhor estes fenómenos", disse Jarraud.

"A rede da OMM “Watch Global Atmosphere”, que abrange mais de 50 países, e fornece medições precisas que formam a base para o estudo das concentrações de GEE, incluindo as suas várias fontes, sumidouros e transformações químicas na atmosfera", disse Jarraud. O papel dos sumidouros de carbono é essencial na equação de carbono global. Se o CO2 extra emitido é armazenado em reservatórios, tais como os oceanos profundos, onde pode ficar retido por centenas ou mesmo milhares de anos, ou se, em contraste, as novas florestas só poderão reter o carbono por um período de tempo muito mais curto.

O boletim da OMM reporta-se às concentrações atmosféricas - e não às emissões - de gases de efeito estufa. As emissões representam o que vai para a atmosfera. A concentração representa o que permanece na atmosfera depois do sistema complexo de interações entre a atmosfera, a biosfera e os oceanos.

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por Quercus às 13:27

Alterações climáticas fora do Plano de Ação: Comissão Europeia cede à pressão da indústria automóvel

Segunda-feira, 19.11.12

A Comissão Europeia (CE) tem um novo Plano de Ação «CARS 2020»1 que visa reforçar a competitividade e a sustentabilidade da indústria automóvel no âmbito do programa «Horizonte 2020». A Quercus e outras Organizações Não Governamentais (ONG) europeias, destacam que este Plano de Ação omite os principais desafios ambientais estratégicos de política da União Europeia (como as alterações climáticas e a eficiência energética) e representa uma oportunidade falhada na estratégia de redução das emissões poluentes do transporte rodoviário, sobretudo veículos ligeiros e pesados.

A implementação de medidas fundamentais para reduzir o impacto energético e climático do transporte rodoviário tem sido esquecida pela CE, fruto de grandes pressões da indústria automóvel. Esta conclusão parte de informações obtidas pelas ONG de ambiente junto da CE e tem motivado atrasos na preparação e aprovação de nova regulamentação sobre:

- novos veículos comerciais ligeiros mais eficientes (por exemplo, através da instalação de indicadores de mudança de velocidade para obter poupanças de combustível), devido às fracas vendas deste tipo de veículos em vários Estados-Membros da União Europeia (UE);

- a redução das emissões de poluentes atmosféricos dos novos veículos ligeiros comerciais e de passageiros;

- metas mais ambiciosas de redução de emissões de dióxido de carbono (CO2) para os novos veículos ligeiros comerciais e de passageiros a atingir no pós-2020, para tornar estes veículos mais eficientes.

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por Quercus às 16:18


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