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"If not us, then who? If not now, then when? If not here, then where?"

Quinta-feira, 06.12.12

Com quase 500 mortes já contabilizadas por causa do tufão Bopha, o discurso de Mary Ann Sering, representante máxima das Filipinas no segmento de Alto Nível, foi cheio de emoção e terminou com aplausos depois da sua última frase: "If not us, then who? If not now, then when? If not here, then where?"....

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por Quercus às 09:17

COP18 - Portugal com uma das maiores participações dos últimos anos

Quinta-feira, 06.12.12

O título é deliberadamente provocador. Esta conferência no Qatar obrigou a deslocações aparentemente dispendiosas para um local longínquo (os voos custam o dobro de uma ida a Bruxelas mas os hotéis são ao mesmo preço). Depois de na recente conferência Rio+20 sobre desenvolvimento sustentável no Rio de Janeiro ter havido acusações de demasiado dinheiro gasto pelo Estado na deslocação da comitiva (quando honestamente, e pelo menos no que ao Ministério do Ambiente diz respeito, não nos pareceu que tenha sido o caso), como é possível um record de participantes? A resposta é simples – a delegação oficial de Portugal com deslocações pagas não chega aos dedos de duas mãos – pelas contas da Quercus, entre técnicos dos Ministério dos Negócios Estrangeiros e do Ministério do Ambiente, incluindo a própria Ministra, são nove, um dos números mais reduzidos de sempre por comparação com outros anos e com outros países europeus. A Quercus por exemplo, assume obviamente os custos da sua própria vinda.

A descoberta é que grande parte da enorme infraestrutura de internet, áudio e vídeo é assegurada por cerca de quarenta profissionais portugueses vindos expressamente para a cobertura do evento, a que acresce um número ainda significativo de outros que são imigrantes no Qatar. Fica-se surpreendido a ouvir falar português pelos corredores, mas neste caso, fiquem os contribuintes descansados, que é à custa da qualidade das empresas e provavelmente também pelos preços competitivos que oferecemos e que assim foram contratadas, que constituímos uma delegação (apenas uma pequena parte oficial…), tão vasta!

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por Quercus às 08:14

EUA - Vamos discutir equidade e responsabilidades

Quarta-feira, 05.12.12

Um dos discursos formais ao plenário mais aguardados e que teve lugar pouco depois do discurso da Ministra do Ambiente de Portugal, foi o do enviado do Presidente Obama para o clima, Todd Stern, em nome dos Estados Unidos da América (EUA). Depois de falar das consequências que todos sabem os EUA sofreram recentemente devidas às alterações climáticas, afirmou que precisam de fazer mais e têm essa intenção, nomeadamente cumprindo o objetivo com que se comprometeram em Copenhaga e depois em Cancun, de reduzir em 17% as emissões entre 2005 e 2020. Aqui, é preciso explicar que Todd Stern não foi muito rigoroso, dado que tal se refere apenas ao dióxido de carbono e não ao total de gases, e que há alguns aspetos na contabilização presente aliás num relatório recente, que mostram que este valor não é assim tão claro e linear.

Mais importante porém, foi os EUA mostrarem disponibilidade para uma discussão sobre a qual têm tido eternos diferendos em particular com a China. Stern afirmou “Vamos proporcionar uma oportunidade para que os países consigam discutir todas as questões críticas, incluindo o princípio da equidade e das responsabilidades comuns mas diferenciadas e as respetivas capacidades. Os Estados Unidos gostariam de se envolver nessa discussão, porque a menos que possamos encontrar um terreno comum sobre a forma como o princípio se deve aplicar no mundo da década de 2020, não teremos sucesso em produzir um acordo na nova Plataforma de Durban. E nós temos de ter sucesso. Portanto, vamos ter essa discussão.”. Espera-se agora se nos vários segmentos da negociação aqui em Doha, esta perspetiva profunda de abertura para discutir (e assumir) as responsabilidades históricas e atuais das emissões e do financiamento são mesmo para levar a sério.

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por Quercus às 19:00

Discurso da Ministra do Ambiente – os compromissos certos que Portugal tem de defender na Europa e concretizar em casa

Quarta-feira, 05.12.12

Foi um pouco depois das 16h30, hora de Doha (13h30, hora de Lisboa), que a Ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, Assunção Cristas endereçou o plenário no contexto do segmento de Alto Nível da Conferência do Clima (vídeo anexo).

Estes discursos são sempre curtos (máximo de três minutos, até excedidos por Portugal). Duas partes caracterizaram o texto de Assunção Cristas – uma primeira, reafirmando os resultados que a União Europeia e também Portugal pretendem que sejam atingidos nesta reunião, nomeadamente a continuação do Protocolo de Quioto, a necessidade de se traçar um caminho para um novo acordo ambicioso em 2015; a segunda parte  foi dedicada ao trabalho doméstico.

Neste capítulo, para além de mencionar o facto de Portugal já estar a sentir as consequências das alterações climáticas nomeadamente com a seca recente, mencionou o cumprimento pelo país das metas traçadas para o primeiro período de Quioto 2008-2012, o Roteiro Nacional de Baixo Carbono que perspetiva o futuro, e o destinar das verbas geradas a partir de 2013 pelo Comércio Europeu de Licenças de Emissão em áreas relacionadas com o clima (na prática, a maioria da verba é para suportar o défice tarifário associado à eletricidade de fontes renováveis).

Aproveitou aliás para citar o estudo da Rede Europeia de Ação Climática, GermanWatch, também com a participação da Quercus, onde Portugal ficou como o  3º melhor país industrializado em termos de desempenho climático. Mencionou ainda o surgimento de novas medidas relacionadas com a mitigação de emissões em Portugal, com o surgimento do próximo Plano Nacional para as Alterações Climáticas até 2020, bem com a concretização, mesmo em tempos de crise, do encaminhamento dos recursos financeiros resultantes do comércio de emissões para apoio a países lusófonos, em particular em os países africanos da CPLP. Segunda a Ministra, Portugal tem uma oportunidade de concretizar uma política climática ambiciosa. A Quercus só espera que os resultados e os comprometimentos anunciados em eventos internacionais desta natureza sejam mesmo efetivados pelo Governo.

 

(Também disponível em PDF)

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por Quercus às 14:52

"Mais de 190 países debatem no Qatar formas de enfrentar as alterações climáticas"

Quarta-feira, 05.12.12

Na SIC: "Realiza-se até sexta-feira mais uma conferência da ONU sobre alterações climáticas. Mais de 190 países debatem as formas de enfrentar as alterações climáticas, em Doha, no Qatar, numa altura em que os cientistas têm alertado para que o tempo se está a esgotar para evitar consequências mais gravosas da mudança climática."

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por Quercus às 11:50

Portugal ocupa 1º lugar na Europa com menores emissões de CO2 dos veículos novos vendidos em 2011

Quarta-feira, 05.12.12

Portugal ocupa, no quadro dos 27 Estados-Membros da União Europeia (UE), a primeira posição do ranking no que diz respeito à frota de novos veículos ligeiros, mais eficientes e mais limpos. Em 2011, os novos veículos ligeiros de passageiros em Portugal, emitiram, em média, 122,8gCO2/km, seguido por Malta (124,5gCO2/km) e pela Dinamarca (125gCO2/km). Estas são as conclusões de um estudo hoje publicado, em Bruxelas, pela Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E), da qual a Quercus faz parte.

Existem vários fatores que justificam este desempenho positivo de Portugal: a frota média é dominada por veículos de dimensões mais reduzidas (e menos poluentes) do que a média dos países da UE e a carga fiscal beneficia os veículos menos poluentes, com a componente de emissões de CO2 a ser ponderada em 60% no Imposto sobre os Veículos (IA) e no Imposto Único de Circulação (IUC). A crise económica que o país atravessa terá também resultado no decréscimo das vendas de novos veículos ligeiros, destacando as vendas dos mais eficientes.

O estudo da T&E sustenta que os fabricantes de automóveis europeus estão a ter um melhor desempenho do que a maioria dos seus concorrentes asiáticos(1) de modo a atingir a meta de redução das emissões para os novos veículos ligeiros de passageiros de 95 gCO2/km em 2020, definida pela legislação europeia. Na corrida para atingir esta meta, todos os fabricantes europeus (exceto a Daimler AG) estão entre os primeiros nove lugares com bom desempenho, enquanto cinco dos últimos seis fabricantes automóveis com pior desempenho são asiáticos.

Este estudo da T&E é publicado anualmente desde 2006 e avalia o progresso dos fabricantes automóveis europeus no esforço de redução das emissões de CO2 dos novos veículos ligeiros de passageiros por forma a atingir a meta para 2015 (130gCO2/km) (2). Em 2012, e pela primeira vez(3), o estudo aborda também o progresso dos fabricantes para atingir a meta para 2020 (95gCO2/km), e atesta que é mais fácil cumprir as metas europeias de redução das emissões do que a indústria europeia tem vindo a invocar, desde que a legislação europeia entrou em vigor (2009).

De um modo geral, e considerando o ano de 2011, a indústria automóvel conseguiu reduzir os consumos de combustível e as emissões de CO2 em 3,3%. Isto significa que, quatro anos antes da data prevista, a meta de 130 gCO2/km para 2015 está apenas a 4% de distância. Entre as principais marcas automóveis, a Fiat, a Toyota e a Peugeot-Citroën já atingiram, em 2012, a meta de emissões para 2015.

Nos últimos quatro anos, as emissões de CO2 dos novos automóveis foram reduzidas a uma taxa anual de 4%. Com base na evolução tecnológica, o estudo estima que os fabricantes europeus de automóveis precisam de melhorar a eficiência dos veículos (e reduzir emissões de CO2), a uma taxa anual de apenas 3,8% para atingir a meta de 95 gCO2/km em 2020.

O estudo da T&E constata ainda que os fabricantes de automóveis estão a reduzir os consumos de combustível e emissões de CO2 dos veículos, não só através de melhorias tecnológicas introduzidas nos motores automóveis, mas também pela “manipulação” e sobrevalorização dos resultados dos testes que os comprovam, pelo que a diferença entre os valores “oficiais” e os valores “reais” tem vindo a aumentar.

Segundo Jos Dings, da T&E, “as organizações não governamentais de ambiente já constataram que os fabricantes europeus de automóveis estão no bom caminho para ultrapassar a meta de emissões de CO2 em 2015 (130gCO2/km) por uma grande margem. Sabemos agora que a maioria está também no caminho certo para atingir a meta de emissões para 2020 (95gCO2/km), e que os fabricantes europeus estão melhor posicionados para atingir esta meta do que os seus concorrentes asiáticos. Portanto, é importante que a Comissão Europeia estabeleça agora uma meta mais ambiciosa de 60gCO2/km, a atingir em 2025. Em jogo não está apenas o futuro do planeta, mas também mais poupanças para o bolso dos condutores em despesas de combustível, com veículos mais limpos".

Já Francisco Ferreira, da Quercus, reforça que “é importante a indústria automóvel continuar empenhada em reduzir as emissões de CO2 dos novos veículos e dê prioridade a tecnologias menos poluentes. Por exemplo, o peso dos veículos é um fator determinante para reduzir o consumo de combustível e emissões, e obter grandes poupanças em faturas de combustível, e muito pode ainda fazer-se neste campo. Este é um passo fundamental para cumprir a meta de redução de gases de efeito de estufa dos transportes em 60%, até 2050, e manter a liderança da política climática e a competitividade da economia da UE face aos países emergentes.”

Lisboa, 5 de dezembro de 2012

A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

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por Quercus às 11:45

Meta de 20% de eficiência energética para 2020
: União Europeia ainda precisa de maior esforço para atingir objetivo

Quarta-feira, 05.12.12

A Nova Diretiva sobre Eficiência Energética entra em vigor amanhã e resultou de um longo e demorado processo de negociações entre a Comissão Europeia, o Parlamento Europeu e o Conselho, tendo este tentado até ao último momento enfraquecer esta legislação para que os Estados-Membros não ficassem obrigados a mais uma meta.

Esta Diretiva (2012/27/UE, de 25 de Outubro) tem de ser transposta para a legislação nacional até 5 de junho de 2014 e apresenta os seguintes objetivos:

- A renovação anual de 3% da superfície total dos edifícios da administração central com sistemas de climatização. Esta medida aplicar-se-á aos edifícios com uma superfície útil superior a 500 metros quadrados estendendo-se, a partir de julho de 2015, aos edifícios com mais de 250 metros quadrados;

- A imposição aos distribuidores de energia existentes no seu território de uma percentagem de "poupança de energia acumulada" mínima, que não poderá ser inferior a 1,5% das vendas anuais de energia a clientes finais entre 2014 e 2020;

- As grandes empresas terão de submeter-se, de quatro em quatro anos, a uma auditoria energética. Estas começarão três anos após a entrada em vigor da Diretiva e estarão a cargo de especialistas acreditados. As pequenas e médias empresas estão excluídas destas regras;

- Devem ser fornecidos contadores individuais a preços competitivos aos consumidores finais de eletricidade, gás natural, sistemas urbanos de aquecimento e/ou arrefecimento e água quente para uso doméstico, que reflitam com exatidão o consumo de energia e o período real do mesmo.

Com estas medidas, a Comissão Europeia espera que seja alcançada a meta de 20% de eficiência energética no espaço europeu, equivalente a uma redução de 368 milhões de toneladas equivalente de petróleo (Mtep) [1].

Nem tudo são rosas…

As organização não governamentais europeias (ONG) e a Coligação para a Poupança de Energia aplaudem esta Diretiva, considerando-a um avanço em relação à legislação existente em matéria de eficiência energética, que tem por objetivo reduzir 1% o consumo de energia primária nos estados-membros. Neste momento, as políticas de eficiência energética existentes asseguram apenas o cumprimento de metade da meta de 20%. Mesmo com a aplicação desta nova Diretiva de Eficiência Energética, a distância para a meta não é de todo alcançada. Segundo a Coligação, a nova Diretiva apenas contribuirá para a diminuição do consumo de energia primária, ficando a faltar 94 Mtep para ser atingida a meta dos 20%:

Espera-se que as Diretivas já existentes possam colmatar esta lacuna, como é o caso da legislação que está a aumentar o nível de eficiência energética em produtos ou ainda de outras planeadas, como a que impõe novos limites de emissões para os automóveis.

O potencial desta Diretiva proposta pela Comissão foi-se perdendo ao longo da negociação entre as instâncias europeias. Mais ambiciosa ainda era a proposta das ONG e da Coligação, segundo a qual os distribuidores de energia têm mais margem de eficiência, a obrigatoriedade da renovação deve ser alargada a todos os edifícios públicos e a informação ao consumidor deveria ser bastante melhorada:

Esta Diretiva poderia permitir alcançar a meta dos 20% caso os Estados-membros tivessem revelado mais ambição e não deixassem as suas políticas nacionais serem reféns da atual crise económica.

Lisboa, 4 de dezembro de 2012

A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

[1] Projeção 2007 1842 Mtep (energia primária); redução de 20% corresponde a consumo de energia primária de 1474 Mtep ou 1078 Mtep de energia final.

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Abertura do "Segmento de Alto Nível" com os habituais alertas

Terça-feira, 04.12.12

Apesar da Conferência ter quase duas semanas de trabalhos, a parte mais relevante e em que se concretizam eventuais decisões é o chamado segmento de alto nível, cuja abertura acaba de decorrer. Já com os ministros de ambiente de praticamente todos os países do mundo presentes, entre hoje, dia 4, terça-feira, e sexta ou eventualmente sábado se os trabalhos se prolongarem, serão estes políticos que determinarão em parte o caminho, melhor ou pior, que o planeta vai seguir no que respeita às alterações climáticas.

Na sessão de abertura, a secretária-executiva da Convenção, Christiana Figueres apresentou os temas que aguardam progresso e decisão num centro de conferências construído numa estrutura que se baseia numa árvore característica do deserto – a sidra. Apelou à ambição e determinação dos decisores a bem da qualidade de vida das próximas gerações. Seguiu-se a intervenção do Presidente da Conferência, o Vice-Ministro do Qatar Abdullah bin Hamad Al-Attiyah e depois do Presidente da Assembleia das Nações Unidas, Vuk Jeremić que mencionou a necessidade de apostar nas energias renováveis e numa sociedade de baixo consumo, apelando a uma rotura para que o mundo fique melhor do que o encontrámos. [texto do discurso]

A intervenção seguinte foi a do Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que mencionou o facto das alterações climáticas serem uma crise a todos os níveis. Deu exemplos das consequências, desde o degelo do Ártico às imagens de Nova Iorque e Pequim submersas em água. Entre outros alertas mencionou que “nós coletivamente somos o problema e por isso nós temos de dar as soluções. (…) Cada atraso significará um aumento dos riscos. (…) Temos de atuar já e com urgência. O ritmo e a escala de ação não são suficientes. Considerou que é preciso ter cinco decisões chave em Doha: acordar um 2º período de compromisso do Protocolo de Quioto: assegurar financiamento de longo prazo para o clima para se atingir 100 mil milhões de dólares em 2020; que há esforços conjuntos de mitigação e adaptação; a necessidade de suporte ao Fundo Climático Verde e ao Centro Tecnológico Limpo; que os governos conseguem assegurar que conseguimos ultrapassar o intervalo entre o atual nível de mitigação proposto e o que é necessário para não se ultrapassar mais de 2º graus em relação ao nível pré-industrial. “Vamos acelerar a transformação necessária e vamos abandonar a empatia e ter ambição. (…) Vamos provar às próximas gerações que temos visão.“ [texto do discurso]

Falou ainda o Emir do Kuwait, Sabah IV Al-Ahmad Al-Jaber Al-Sabah, e finalmente o Sheikh Hamad Bin Khalifa Al-Thani, Emir do Qatar (na foto). Este último mencionou o atual clima internacional complicado em termos económicos e de segurança e do papel que as alterações climáticas estão a ter no desenvolvimento sustentável de todos os países a todos os níveis. Lembrou que não há fronteiras e que deve ser abordado de forma integrada e onde a assistência dos países desenvolvidos aos países em desenvolvimento é fundamental. Combater as alterações climáticas implica vontade política e cooperação internacional e estamos ainda longe das aspirações das populações.

Mencionou que o Estado do Qatar (recordista mundial em emissões per capita), já sente os impactes negativos das alterações climáticas e sente também a necessidade de reduzir as suas emissões, mas que é necessário conciliar o desenvolvimento com estas preocupações. Listou os projetos de mitigação existentes e em implementação, nomeadamente os painéis fotovoltaicos que fornecem 12% da energia elétrica do centro onde esta conferência está a ter lugar. Um discurso de agradecimento e promoção do Estado do Qatar, sempre cuidadoso em não mencionar o papel dos combustíveis fósseis, tão caracterizador desta região do Golfo Árabe, nas emissões de gases causadoras das alterações climáticas.

Adenda: os textos dos discursos estão disponíveis aqui em ingês e árabe.

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por Quercus às 13:45

LCA e ADP – Siglas importantes neste momento da conferência

Terça-feira, 04.12.12

A Convenção, e dentro dela o Protocolo de Quioto, consubstanciam muita da sua ação através de grupos de trabalho eu definem objetivos, práticas, detalhes. Em 2007, na reunião da Conferência das Partes em Bali foi criado o Grupo de Trabalho Ad Hoc sobre Cooperação de Longo Prazo (AWG-LCA) que pretendia dar origem a um acordo global para o clima a ser formalizado em Copenhaga. Como se sabe, tal não foi bem sucedido, mas esse grupo tem prolongado o seu trabalho, que no entanto a União Europeia e também as organizações não governamentais de ambiente, entre outros, consideram que deve terminar aqui em Doha. Há diversas áreas que ainda estão em decisão e que podem ser continuadas pelos chamados órgãos subsidiários (SBI e SBSTA), ou passar para o novo grupo Ad Hoc da Plataforma de Durban (ADP), cuja missão é construir um novo acordo para 2015 e assegurar compromissos de redução até 2020.

No primeiro caso (LCA), o texto atual revela falta ambição e integridade ambiental, não mencionando por exemplo nada no que respeita a financiamento para o período 2013-2015, isto é a continuação de apoios para o clima que já vigoraram em 2011-2012, rumo ao objetivo de atingir 100 mil milhões de dólares em 2020. Com diversas partes em itálico (isto é, que precisam ainda de aprofundamento) incluindo o ano em que se deve verificar o pico de emissões ou o aumento máximo de temperatura que se deve atingir desde a era pré-industrial, o texto passa também para mais tarde decisões necessárias e relativamente simples como um acordo sobre o ano base para contabilização das emissões ou os potenciais de aquecimento global dos diferentes gases.

Quanto ao ADP, de ontem (dia 3) à noite, há um novo texto que é mais geral e fraco que o anterior, e que remete para meados de 2013 o desenhar e o verdadeiro início dos trabalhos rumo a um futuro acordo. Em Doha, pouco se está a avançar…

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por Quercus às 08:33

Alterações climáticas: Portugal é o 3º país com melhor desempenho entre os 58 países mais industrializados (CCPI 2013)

Segunda-feira, 03.12.12

O Climate Change Performance Index (CCPI) é um instrumento inovador que traz maior transparência às políticas climáticas internacionais. O índice é da responsabilidade da organização não governamental de ambiente GermanWatch e da Rede Europeia de Ação Climática. A Quercus, que integra este Rede, colaborou na avaliação qualitativa pericial efetuada a Portugal. O anúncio é feito  hoje, 3 de Dezembro, na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP18), que está a ter lugar em Doha no Qatar [vídeo da conferência de imprensa].

Portugal ficou classificado em 6º lugar (onde os 3 primeiros não foram atribuídos) em termos de melhor desempenho relativamente às políticas na área das alterações climáticas numa classificação que compara este desempenho de 58 países que, no total, são responsáveis por mais de 90% das emissões de dióxido de carbono associadas à energia. Na prática Portugal é o 3º melhor país, na medida em que, tal como ano passado, os três primeiros lugares estão vazios, por se considerar não haver por agora nenhum país merecedor do pódio no que respeita à proteção do clima. O objetivo do índice é aumentar a pressão política e social, nomeadamente nos países que têm esquecido o trabalho nacional no que respeita às alterações climáticas.

Após sete anos, o CCPI2013 tem uma nova estrutura, considerando pela primeira vez as emissões associadas à desflorestação e também atribuindo uma ponderação diferente aos indicadores individuais considerados, com maior enfoque à política nas áreas das energias renováveis e eficiência energética, por se considerar que estas são as principais vias para a mitigação das emissões de gases com efeito de estufa (GEE).

A metodologia revista é centrada principalmente em indicadores objetivos: 80% da avaliação é baseada em indicadores de emissões (30% função dos valores de emissões e 30% função da evolução recente das emissões), eficiência (5% relacionado com nível de eficiência energética e 5% com a evolução recente), e ainda o recurso a energias renováveis (8% em função da evolução recente e 2% função do peso do total de energia primária de fontes renováveis). Os restantes 20% baseiam-se na avaliação de mais de 230 peritos dos países analisados, tendo a Quercus intervindo neste critério.

Na opinião dos peritos, há uma insatisfação generalizada em relação às medidas tomadas por cada país para assegurarem à escala global um aumento de temperatura inferior a 2ºC, em relação à era pré-industrial.

Portugal consegue o melhor resultado de sempre

Neste oitavo ano do CCPI, Portugal consegue o melhor lugar de sempre, subindo oito posições de 14º para 6º lugar, pela redução no uso de combustíveis fósseis devido à crise e pelos resultados da política energética, principalmente devido ao investimento nos últimos anos em energias renováveis.

Portugal obtém neste índice de 2013 a classificação geral de “bom” (não há nenhum país com “muito bom”. Nos critério nível de emissões, evolução de emissões, eficiência e política climática o resultado foi “moderado”, e no critério da evolução da eficiência o resultado foi “bom”. É pela consistência de valores nos vários critérios por comparação com outros países que o resultado final viria a ser considerado “bom”, permitindo obter uma das primeiras posições.

Países marcantes no índice

Os melhores lugares (a começar no 4º lugar, dada a ausência dos três primeiros) foram para três países europeus - a Dinamarca, a Suécia (anterior líder na 3ª posição), e Portugal (considerado a maior surpresa do índice), à frente ainda da Suíça (7ª) e Alemanha (em 8º lugar). Os piores países são o Canadá, Cazaquistão, Irão e Arábia Saudita.

A Dinamarca apresentou o melhor desempenho pela sua recente tendência de redução das emissões e por uma política climática considerada excecionalmente positiva. Na União Europeia, a Holanda substitui a Polónia no pior desempenho. Já o Brasil tem uma das maiores quedas ao passar de 7º lugar para 33º devido à desflorestação e à avaliação da sua política climática. A Índia recuou seis lugares dada a forte tendência de aumento das suas emissões. Já o desempenho da China melhorou três lugares (de 57º para o 54º lugar) pois apesar do aumento de emissões há alguns aspetos positivos na área da eficiência que permitem melhorar a sua posição. Os Estados Unidos da América (em 43º lugar) melhoraram nove posições à custa da crise económica e também da redução do uso de carvão.

Climate Change Performance Index (CCPI) - Portugal 2013

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por Quercus às 07:30

Já podem "contar comigo"

Domingo, 02.12.12

Os cientistas afirmam que um aumento de temperatura global superior a 2 graus Celsius em relação área pré-industrial terá consequências dramáticas, principalmente para os países com menor capacidade de adaptação. Estudos da Agência Internacional de Energia, do Banco Mundial, entre outros, afirmam que o caminho que estamos a seguir é o de um aumento de emissões que conduzirá a um aumento de pelo menos 3,6 a 4 graus de temperatura. Só conseguiremos inverter esta tendência se as emissões atingirem um pico já em 2015.

Aqui em Doha houve um episódio embaraçoso. Ao longo da cidade encontramos inúmeras tarjas relacionadas com a conferência, repetindo exaustivamente o slogan “Count me in” (contem comigo) O que é curioso é que essas faixas nos primeiros dias do evento tinham um erro de escrita (ou talvez não….). De um vermelho vivo, diziam “>2º no mundo - Contem comigo”. O sinal de maior “>” deixava confundido quem olhava, mas talvez houvesse alguma mensagem subtil. É como se fosse uma confissão do Qatar e de muitos outros países que têm obstruído as negociações que sem avanços significativos conduzirão o planeta inexoravelmente a uma elevada subida de temperatura e a efeitos que queremos evitar. De um dia para o outro porém, o maior passou a menor, substituindo-se todas as faixas. Com todo trabalho emitiu-se de certeza mais um pouco de carbono. A mensagem já estava politicamente correta. Agora já podem contar comigo!

(fotografia de Stefan Schurig da World Future Council Foundation no percurso para o Centro de Exibições de Doha)

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por Quercus às 19:16

Primeira manifestação ambiental no Qatar

Sábado, 01.12.12

Foram cerca de duas horas, entre as 8 e as 10h da manhã, ajudados por um sol escondido entre algumas nuvens e com uma temperatura de 24 graus, que cerca de 500 manifestantes de todo o mundo percorreram cerca de três quilómetros ao longo da avenida marginal junto ao centro de Doha e às águas do Golfo Pérsico. O apelo, que se repete todos os anos durante a Conferência das Nações Unidas, foi desta vez muito mais modesto por comparação com anos anteriores, nomeadamente com a manifestação que em Copenhaga em 2009 envolveu 100 mil participantes ou mesmo a do ano passado em Durban com muitos milhares.

Este foi um protesto devidamente autorizado pelo Governo do Qatar num país que pouco sai à rua em eventos desta natureza e onde a contestação em relação ao uso continuado de combustíveis fósseis, em particular ao petróleo, a favor de uma economia mais verde, foi um dos principais apelos. Num ambiente muito organizado (com autocarros disponibilizados pelas autoridades, caixotes para recolha seletiva de resíduos e até distribuição gratuita de água), só algumas afirmações mais contundentes de algumas associações destoaram numa marcha que pretendia, apesar da temperatura exterior, aquecer uma conferência até agora demasiado morna em termos de decisões. No final haveria mesmo declarações de um enviado pelo Presidente da Conferência Abdullah Bin Hamad Al Attiyah a dizer que os alertas das populações continuariam a ser escutados…

Várias organizações ambientalistas árabes, a WWF, outras federações africanas e mundiais e também a Quercus, lá estiveram como solidariedade para com todos os que apelam a uma mudança das políticas nacionais e mundiais pelo clima.

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por Quercus às 10:20

É tempo de acabar com os subsídios aos combustíveis fósseis

Sexta-feira, 30.11.12

No início deste ano, as associações de ambiente ficaram encantadas com as várias apresentações referindo que a remoção dos subsídios aos combustíveis fósseis era um contributo substancial para aumentar o nível de ambição da redução de gases com efeito de estufa (GEE) ainda antes de 2020. Nessa altura cerca de 110 países apoiaram a reforma dos subsídios aos combustíveis fósseis como forma de conseguir uma maior ambição na mitigação de GEE e combate às alterações climáticas.

Mas no caminho para Doha, este compromisso foi esquecido… Ontem de manhã, apesar de horas de discussão, o tópico dos subsídios aos combustíveis fósseis ainda não tinha integrado a agendas do grupo de trabalho que está a preparar o próximo acordo climático global para 2015 (ADP).

Felizmente nem todos os países se esqueceram e no fim da tarde a discussão no grupo de trabalho da ADP deixou alguma esperança no ar. Vale assim a pena hoje agradecer às Filipinas, Costa Rica e Suíça por reconhecerem esta importante oportunidade para uma redução adicional de emissões.

A Agência Internacional de Energia refere que o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis pode fechar o fosso existente entre o nível de ambição de redução de GEE prometido e o necessário até 2020, no objetivo de limitar o aquecimento global a 2ºC.

É claro que não vai ser fácil o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis, mas o primeiro passo é reconhecer o potencial e começar o trabalho. Os países ricos devem acabar com os subsídios aos produtores e tão rapidamente quanto possível. Os países em desenvolvimento devem ser apoiados na eliminação dos subsídios aos combustíveis fósseis, de forma a garantir a proteção às populações mais pobres para os pobres e promover a melhoria no acesso à energia.

Há mais de três anos que os países do G20 e da APEC (Associação de Cooperação Económica da Ásia-Pacífico) concordaram em eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis, e a conferência Rio+20 também referiu a necessidade da reforma destes subsídios. O grupo de trabalho ADP pode ajudar a elevar mais estes esforços reconhecendo a necessidade da reforma destes subsídios de combustíveis fósseis, como um meio para alcançar um maior ambição no combate às alterações climáticas mesmo antes de 2020.

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por Quercus às 18:41

Mais dois "Fósseis do Dia": Polónia e Rússia

Sexta-feira, 30.11.12

A Polónia, país que irá receber a próxima Conferência do Clima, venceu ontem o “Fóssil do Dia”, o galardão da Rede de Ação Climática (CAN) para os países com pior comportamento nas negociações climáticas. A distinção deve-se à postura do país sobre a utilização das unidades de quantidade atribuída (AAU, na sigla em inglês), licenças de emissão excedentárias do primeiro período de compromisso do Protocolo de Quito. As ONG defendem que estes excedentes não devem transitar para o segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto, mas a Polónia, a par da Rússia e da Ucrânia, não quer prescindir dessas licenças.

O segundo lugar foi para a Rússia, após o vice-primeiro-ministro russo ter confirmado na quarta-feira que não vai aderir ao segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto. Esta ausência significa que o país ficará de fora dos futuros projectos de Implementação Conjunta (JI), cenário que segundo a CAN terá um efeito negativo sobre a economia e sobre um desenvolvimento de baixo carbono na Rússia.

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por Quercus às 13:03

80 mil belgas cantam pelo clima

Quinta-feira, 29.11.12

Mais de metade dos municípios belgas aderiam à iniciativa “Cante pelo clima”, uma manifestação cantada que decorreu nos últimos meses e que culminou num fim-de-semana especial a 22 e 23 de Setembro. O resultado são mais de 80 mil vozes belgas a cantar o tema “Do it now” e a pedir à comunidade internacional que assuma compromissos concretos contra as alterações climáticas.

O tema foi baseado na canção italiana "Bella Ciao" e as filmagens obtidas em mais de 180 cidades e comunidades foram agora compiladas no videoclip final pelo realizador Nic Balthazar. Além de ter já sido transmitido às autoridades belgas na véspera da COP18, o vídeo será igualmente mostrado nos próximos dias em Doha, no Qatar. Espreite a letra e junte-se ao coro! Mais sobre a iniciativa em www.singfortheclimate.com.

Letra (em inglês):

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por Quercus às 18:58

ONG pedem mais ambição aos ministros e delegados presentes na COP18

Quinta-feira, 29.11.12

Um grupo de 156 organizações não governamentais de 74 países, entre as quais a Quercus, pediu hoje aos países reunidos na COP18, em Doha, no Qatar, para aumentarem significativamente os seus compromissos de redução de emissões de gases com efeito de estufa (GEE) e para acabarem com as lacunas existentes entre os objetivos de redução propostos e os necessários no âmbito do Protocolo de Quioto. Se isso não acontecer, avisam, não teremos hipótese de evitar os efeitos catastróficos das alterações climáticas.

Na carta enviada (ver em inglês, francês, ou espanhol), as ONG insistem que é fundamental acabar com as licenças de emissão excedentárias que transitaram do primeiro para o segundo período de cumprimento do Protocolo de Quioto, também conhecidas por “ar quente”. Pedem também restrições na concessão e utilização de créditos de emissão decorrentes do sistema de Implementação Conjunta (JI) e do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (CDM), um sistema que dizem não ter supervisão adequada, nem oferecer as salvaguardas previstas nas normas internacionais de direitos humanos.

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por Quercus às 17:34

Última chamada para o transporte internacional

Quinta-feira, 29.11.12

Os países têm hoje a última hipótese para fazer progressos sobre as emissões do transporte internacional marítimo e aéreo, que já contribuem com mais de 5% das emissões globais e está a crescer como mais nenhum outro setor.

Mais de 15 anos de negociações em três órgãos da ONU, incluindo a Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês) e nas associações sectoriais, Organização Internacional Marítima e na organização Internacional da Aviação Civil (IMO e ICAO, respetivamente nas sigla em inglês) têm produzido muito poucos progressos, especialmente nas medidas de mercado que podem incentivar a redução de emissões, gerar receitas para ações de mitigação e adaptação nos países em desenvolvimento e também incentivar medidas de eficiência energética nestes setores.

O principal obstáculo tem sido o desacordo sobre como conciliar os princípios da UNFCCC de partilha de responsabilidades comuns mas diferenciadas e respetivas capacidades, com os princípios e abordagens da IMO e da ICAO, com base em abordagens globais com tratamento equivalente para todos os navios e aviões, em qualquer lugar em todo o mundo.

O trabalho técnico no explorar de opções para colocar um preço sobre o carbono nestes sectores tem um bom avanço, mas a falta de acordo sobre a forma de conciliar os diferentes princípios está a bloquear o progresso. Hoje, o grupo de trabalho em abordagens sectoriais está a analisar o texto que aborda exatamente este problema, e um bom texto sobre a mesa pode ser a chave para quebrar este impasse de longa data.

Singapura propôs um texto curto e elegante que pode fornecer a base para uma orientação útil para IMO e ICAO. Os delegados em Doha devem simplesmente concordar aqui, no âmbito da UNFCCC, que as medidas para combater as emissões dos setores marítimo e de aviação devem ser prosseguidas através de abordagens globais com base nos princípios da IMO e da ICAO, tendo também em conta os princípios da UNFCCC, talvez com orientação sobre como o fazer - por exemplo, através do uso de financiamento. Esta pode ser uma solução simples que poderá ser um grande salto em frente para estes sectores cruciais no combate às alterações climáticas.

Adaptado do artigo LCA's Final Boarding Call for International Transport, publicado na quarta edição do boletim ECO, Doha, da Rede de Acção Climática, também disponível em PDF.

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por Quercus às 15:38

Não há conferências do clima sem os prémios “Fóssil do Dia”

Quarta-feira, 28.11.12

À semelhança de conferências anteriores, as organizações não-governamentais (ONG) presentes na COP18, em Doha, no Qatar, atribuem diariamente o galardão “Fóssil do Dia” (Fossil of the Day) aos países com pior comportamento negocial. A iniciativa da Rede de Ação Climática (CAN, na sigla inglesa para Climate Action Network) teve início na segunda-feira, com o galardão a ser entregue aos Estados Unidos, Canadá, Rússia, Japão e Nova Zelândia, pelo seu afastamento de um tratado multilateral vinculativo e do próprio Protocolo de Quioto.

Ontem foi a vez da Turquia, país que é o quarto maior investidor do mundo em carvão e teve a maior taxa relativa de crescimento das emissões anuais de gases com efeito estufa (GEE) entre 1990 e 2010. A justificar a distinção está ainda a postura do governo turco ao nomear 2012 como o “Ano do Carvão”, e a afirmação de que não cumprirá as metas no segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto. O segundo lugar foi para a União Europeia (UE), que já atingiu a promessa de 20% de redução até 2020 e, segundo a CAN, não deve permanecer mais uma década sem novas metas mais ambiciosas.

Esta quarta-feira, o país agraciado com o primeiro lugar foi o Canadá, pela intenção de restrição do financiamento aos países do terceiro mundo e pelas posições contra novos compromissos com metas mais ambiciosas. O ministro do ambiente terá dito em conversas informais que os países em desenvolvimento não devem contar com mais recursos canadianos para financiar medidas de adaptação às alterações climáticas. As ONG acusam o Canadá de fazer o contrário do que deve: está a cortar no financiamento e a aumentar as emissões.

Em segundo lugar ficou a Nova Zelândia, por não definir a sua meta de redução para o segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto, e por propor que o acesso ao Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) deve ser aberto a todos e não depender da assinatura de um segundo período de compromisso. Finalmente, em terceiro lugar, ficaram os Estados Unidos, por mais uma vez rejeitar medidas exigentes de redução das emissões de GEE e pela assinatura, ontem, pelo presidente Obama, de uma lei que permite às empresas aéreas do país não cumprir os regulamentos europeus para voos dentro e fora da UE. Mais em http://climatenetwork.org/fossil-of-the-day

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por Quercus às 19:34





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