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COP18 chega finalmente ao fim com a aprovação do 'Doha Climate Gateway'

Sábado, 08.12.12

[Actualizado] Depois de longas horas de atraso e de espera, o vice-primeiro-ministro do Qatar, Abdullah al-Attiyah, presidente da COP18, reiniciou os trabalhos pouco antes das 19 horas locais e em cerca de dois minutos fez aprovar o conjunto de documentos negociados. O resultado, apelidado de Doha Climate Gateway, não deixa ninguém totalmente satisfeito, mas é considerado razoável por quase todas as Partes.

Os EUA aceitaram a decisão, mas colocam algumas reservas a alguns parágrafos, à semelhança de outros países que submeteram declarações interpretativas das decisões. A Rússia contestou a forma como o processo foi conduzido alegando que pediu para intervir antes da aprovação do "pacote" de Doha, que não contempla as suas propostas. O presidente da COP18 respondeu que a decisão adoptada reflecte a vontade das Partes e agradeceu à Rússia, que interveio também em nome da Bielorrússia e da Ucrânia. No entanto, os russos insistiram e pediram um ponto de ordem, apelando da decisão do presidente da COP. Abdullah al-Attiyah não cedeu e reiterou que "as decisões tomadas hoje reflectem a vontade do todo em ter resultados em Doha". Assegurou, no entanto, que as preocupações e propostas russas serão reflectidas no relatório da COP.

Seguiram-se intervenções de países e grupos a saudar o resultado da COP, nomeadamente da Argélia em nome do G77 e da China, país que interveio de seguida em nome dos países BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China), para dizer que apesar de estar descontente com alguns documentos, está pronto a aceitar o pacote de decisões de Doha. Vários países saudaram continuação do Protocolo de Quioto através de um segundo período de cumprimento, e garantem que não irão adquirir licenças e emissão excedentárias do primeiro período (AAUs ou 'Ar quente'). Incluídos neste grupo estão a Austrália, a União Europeia, Liechtenstein, Japão, Mónaco, Noruega e Suíça. Seguiram-se várias intervenções de saudação ao trabalho da presidência da COP18 e ao resultado obtido no Qatar.

Numa declaração há minutos, Abdullah al-Attiyah agradeceu o empenho político e a flexibilidade dos negociadores e admitiu que em algumas matérias não houve consenso, mas reforçou que a aprovação do pacote de Doha baseou-se na necessidade de avançar com as negociações. No final do discurso escrito improvisou, para falar "do fundo do coração". "Fiz o meu melhor para vos deixar um sorriso a todos, da forma mais transparente e sincera, sem 'quartos escuros', mas estas são negociações difícieis e exigentes".

No final ouviram-se as críticas dos grupos de observadores, nomeadamente da sociedade civil (Rede de Ação Climática), dos sindicatos e dos jovens, que foram unânimes na desilusão pelo resultado pouco ambicioso da COP18.

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“As próximas horas são as últimas horas”

Sexta-feira, 07.12.12

[Actualizado] Abdullah bin Hamad al Attiyah, presidente da COP18, fez há momentos um ponto de situação e marcou nova sessão informal para as 23h locais, 20h de Lisboa. "Quero que regressem aqui às 23h com fumo branco”, apelou o vice-Ministro do Qatar, salientando que "as próximas horas são as últimas horas", uma mensagem com um duplo siginificado, já que estão em causa não só as negociações, como o futuro do clima do planeta.

Entretanto decorrem negociações a vários níveis. A ministra Assunção Cristas, por exemplo, integra a equipa negocial da UE conjuntamente com os ministros do Reino Unido e da Finlândia para concluir os trabalhos do grupo LCA (Cooperação de Longo Prazo).

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por Quercus às 16:15

Srs. Ministros - Eis o primeiro texto para decisão

Sexta-feira, 07.12.12

Com o sol a pôr-se no Centro de Congressos em Doha, o grupo Ad-Hoc de Cooperação de Longo Prazo foi o primeiro a aprovar conclusões para decisão pela Conferência (exceto na parte que respeita a finanças). Este grupo criado em Bali em 2007, tinha por objetivo desenhar o Acordo de Copenhaga que nunca chegou a existir. Agora chega ao fim, com algumas decisões que ainda vão ser contestadas poiliticamente daqui a umas horas, e com muitos assuntos a serem assumidos por outras áreas da Convenção. O texto aprovado pode ser encontrado aqui.

No entretanto, há delegações que reprogramam voos e outras que não hesitam em afirmar que se irão embora daqui a umas horas. Em Durban, o ano passado, a Conferência terminou na madrugada de domingo.

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por Quercus às 14:01

Maratona negocial em Doha: ponto de situação às 15h (12h em Portugal)

Sexta-feira, 07.12.12

O Presidente da COP, Abdullah bin Hamad al Attiyah, pediu a cada um dos negociadores dos grupos de trabalho que estão a preparar textos negociais para serem aprovados pelos ministros um ponto de situação:

Protocolo de Quioto: vão continuar trabalho, há preocupações das Partes; nova versão tem de estar pronta hoje porque colega vai-se embora amanhã; todos concordam que temos de terminar hoje e é necessária uma package equilibrada e não é possível satisfazer a todos; para termos uma boa continuação do Protocolo de Quioto, há que ligar ainda aos trabalhos de LCA e ADP.

Finanças: com base no texto de ontem à noite há ainda diferenças entre países mas há espírito para continuar o trabalho; vão rever texto com base nas consultas feitas e vão ainda fazer novas consultas depois; antes das 17h farão ponto de situação.

LCA (Cooperação de Longo Prazo – grupo que deverá terminar nesta COP): trabalharam toda a noite; consideram que têm um pacote equilibrado de cada um dos assuntos e de forma global.

ADP (Plataforma de Durban – futuro acordo 2015 e mitigação para 2020): plano de trabalhos feito; quase todos os assuntos estão encaminhados e para apresentação após o LCA; há três assuntos complexos: referência no preâmbulo relativo à Rio+20, ambição pré-2020 e temas de workshops; vão trabalhar ainda no texto.

Perdas e Danos (L&D): nenhuma das opções em cima da mesa foram aceites como início; fez texto de compromisso para ver como se consegue prosseguir e considera acordo possível.

Centro Tecnológico para o Clima: há acordo para todas as partes participarem e de forma equilibrada.

Mecanismos: realizaram-se reuniões bilaterais entre países e há entendimento entre as Partes.

Presidente COP: nesta fase do ponto de situação considerou que os contornos do “pacote de Doha” estão a ficar claros e estão encaminhados.

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Vários grupos de países pronunciaram-se também:

G77+China: consideram que houve progresso mas ainda vários assuntos por resolver e há algum desapontamento no pacote de Doha.

Umbrella group (EUA, Canadá, Austrália, Argentina, entre outros): forte oposição num conjunto de assuntos relativos a LCA.

BASIC (Brasil, África do Sul, Índia, China): não concordam com muitos dos aspetos do pacote mas estão abertos a consenso.

União Europeia: há bom progresso mas o tempo está a terminar; é necessário que os ministros cruzem perspetivas, em particular em relação ao período pré-2020 e que a ambição seja maior; não há concordância em relação aos aspetos de mitigação, novos mecanismos de mercado, mitigação; concordam com os moldes de continuação do Protocolo de Quioto, mas mais uma vez há que cruzar visões. No que está muito desapontada é na área de perdas e danos, onde considerou que o trabalho dos últimos anos pode estar perdido; considera que se deve avançar já para o debate à escala ministerial.

Suíça (“integrity group”): é preciso mais progresso; considera que é preciso um trabalho negocial e acima de tudo já ministerial.

AOSIS (Estados pequenas ilhas): estão desapontados; pouca ambição e ação. Consideram que é preciso pressa, mas tal não pode resultar num resultado negativo.

LDCs (países menos desenvolvidos): estão desiludidos, querem ir para casa com algo satisfatório em que a urgência não pode pôr em causa os objetivos de ambição em relação ao clima.

Filipinas: preocupação em relação à ambição; no protocolo de Quioto, não querem que o “ar  quente” possa continuar a ser considerado; muito críticos em relação ao texto da LCA; consideram que é preciso fazer muito mais nas próximas horas.

África: nível de ambição é reduzido mas considera que ainda é possível atingir compromisso que não deve por em causa a integridade da proteção do clima.

Houve outras intervenções da Venezuela (ALBA – alguns países da América Central e Latina como Venezuela, Bolívia, Cuba, Equador, entre outros), Bolívia e Rússia.

Venezuela mencionou falta de ambição; Bolívia opôs-se a que países fora de Quioto possam usar mecanismos.

O Presidente da COP18 considerou depois que em relação à Plataforma de Durban (ADP) se devem envolver desde já os ministros diretamente nas negociações; quer concluir grupo LCA tão rapidamente quanto possível e pediu trabalho intenso na área da continuação do Protocolo de Quioto, bem com nos grupos sobre finanças e perdas e danos.

Novo ponto de situação em plenário pelo Presidente da COP às 18h no Qatar (15h de Portugal)

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por Quercus às 12:06

Quercus desdobra-se em reuniões na COP18

Quinta-feira, 06.12.12

Esta tarde em Doha, o coordenador para as áreas da energia e clima da Quercus, Francisco Ferreira, e o diretor da Rede Europeia de Ação Climática, Wendel Trio, tiveram uma reunião de cerca de uma hora com a Ministra do Ambiente, Assunção Cristas e o Vice-Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Paulo Lemos, para discutir sobre ponto de situação atual das negociações, as posições da CAN/Quercus, o esforço que deve ser feito pela União Europeia e os possíveis resultados decorrentes da Conferência.

Anteriormente, o Ministério do Ambiente promoveu um evento de apresentação pública no Pavilhão da União Europeia do Roteiro Nacional de Baixo Carbono (RNBC), com a participação também da Ministra do Ambiente e do Vice-Presidente da APA.

Ontem, Francisco Ferreira esteve reunido para discutir aspetos relacionados com as negociações e legislação europeia na área das emissões de gases com efeito de estufa com a eurodeputada social-democrata Maria da Graça Carvalho.

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por Quercus às 18:00

A 36 horas do fim? De certeza que não!

Quinta-feira, 06.12.12

Já entrámos na maratona final habitual nestas conferências, mais uma vez com uma probabilidade reduzida de amanhã terminarmos os trabalhos ao fim da tarde. As noites agora começam a ser passadas em branco e há rumores dos motoristas já terem sido contratados para trabalhar até segunda-feira! O jogo irá a prolongamento, mesmo que tudo fique empatado para próximo embate, em 2013, na COP19.

Ainda há muitos temas em aberto. Há uma preocupação generalizada das ONG de que as negociações não estão a tomar o caminho certo, culpa da presidência da Conferência, dos EUA no que respeita às questões relacionadas com financiamento e da União Europeia por causa das AAU (ver próximo parágrafo). Todas as decisões são tomadas nos plenários relativos à Convenção (COP) e ao Protocolo de Quioto (CMP). Para tal, é necessário ter textos tão completos quanto possível, isto é, com poucas opções em aberto para decisão por parte dos Ministros.

Ponto de situação nos diferentes grupos de trabalho:

Protocolo de Quioto (continuação do Protocolo): texto finalizado com 31 páginas (ultima versão aqui em PDF) mas com muitos pontos em aberto para decisão difícil: extensão até 2017 ou 2020; transferência da totalidade e possibilidade de uso de unidades de quantidade atribuída (AAUs em inglês) entre o primeiro período de cumprimento (que agora termina) e o próximo e eventual cancelamento do excesso de emissões de países como a Rússia, Ucrânia e Polónia (tratam-se de licenças que os países têm, mas que principalmente devido à sua atividade económica não utilizaram) – a Polónia é vista como o principal obstáculo a um acordo, sendo que Varsóvia é a cidade proposta para a próxima COP; nível de ambição dos limites associados ao segundo período de cumprimento; inclusão da possibilidade dos mecanismos de Quioto poderem ser utilizados por países (desenvolvidos) fora do Protocolo.

Acordo de Cooperação de Longo Prazo (LCA, em inglês): trata-se de um grupo de trabalho que deverá terminar nesta Conferência e que vem desde Bali (2007) e que supostamente deveria ter tido êxito em 2009 com um acordo em Copenhaga; há um conjunto de assuntos que devem prosseguir através dos chamados órgãos subsidiários e para a denominada plataforma de Durban, mas há questões relacionadas com equidade e financiamento que levam os países em desenvolvimento, em particular Índia, a não permitir que haja consenso. Os trabalhos deste grupo não estão assim ainda preparados para decisão.

Plataforma de Durban (Acordo para 2015 e mitigação até 2020): texto atual (disponível aqui) é melhor após algumas versões e a principal questão está relacionada com o programa de trabalhos que convém ser decidido aqui em Doha (e implementado nas próximas conferências anuais, em encontros que acontecem em Bona a meio do ano dos órgãos subsidiários, ou em workshops específicos). A agenda está ainda muito aquém do desejável e presume-se que só após um acordo relacionado com o Acordo de Cooperação de Longo Prazo (LCA) é que muitos dos países, nomeadamente países em desenvolvimento, se comprometerão com os trabalhos futuros. [Foto: © Sallie Shatz/COP18]

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por Quercus às 12:41

"Mais de 190 países debatem no Qatar formas de enfrentar as alterações climáticas"

Quarta-feira, 05.12.12

Na SIC: "Realiza-se até sexta-feira mais uma conferência da ONU sobre alterações climáticas. Mais de 190 países debatem as formas de enfrentar as alterações climáticas, em Doha, no Qatar, numa altura em que os cientistas têm alertado para que o tempo se está a esgotar para evitar consequências mais gravosas da mudança climática."

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por Quercus às 11:50

Abertura do "Segmento de Alto Nível" com os habituais alertas

Terça-feira, 04.12.12

Apesar da Conferência ter quase duas semanas de trabalhos, a parte mais relevante e em que se concretizam eventuais decisões é o chamado segmento de alto nível, cuja abertura acaba de decorrer. Já com os ministros de ambiente de praticamente todos os países do mundo presentes, entre hoje, dia 4, terça-feira, e sexta ou eventualmente sábado se os trabalhos se prolongarem, serão estes políticos que determinarão em parte o caminho, melhor ou pior, que o planeta vai seguir no que respeita às alterações climáticas.

Na sessão de abertura, a secretária-executiva da Convenção, Christiana Figueres apresentou os temas que aguardam progresso e decisão num centro de conferências construído numa estrutura que se baseia numa árvore característica do deserto – a sidra. Apelou à ambição e determinação dos decisores a bem da qualidade de vida das próximas gerações. Seguiu-se a intervenção do Presidente da Conferência, o Vice-Ministro do Qatar Abdullah bin Hamad Al-Attiyah e depois do Presidente da Assembleia das Nações Unidas, Vuk Jeremić que mencionou a necessidade de apostar nas energias renováveis e numa sociedade de baixo consumo, apelando a uma rotura para que o mundo fique melhor do que o encontrámos. [texto do discurso]

A intervenção seguinte foi a do Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que mencionou o facto das alterações climáticas serem uma crise a todos os níveis. Deu exemplos das consequências, desde o degelo do Ártico às imagens de Nova Iorque e Pequim submersas em água. Entre outros alertas mencionou que “nós coletivamente somos o problema e por isso nós temos de dar as soluções. (…) Cada atraso significará um aumento dos riscos. (…) Temos de atuar já e com urgência. O ritmo e a escala de ação não são suficientes. Considerou que é preciso ter cinco decisões chave em Doha: acordar um 2º período de compromisso do Protocolo de Quioto: assegurar financiamento de longo prazo para o clima para se atingir 100 mil milhões de dólares em 2020; que há esforços conjuntos de mitigação e adaptação; a necessidade de suporte ao Fundo Climático Verde e ao Centro Tecnológico Limpo; que os governos conseguem assegurar que conseguimos ultrapassar o intervalo entre o atual nível de mitigação proposto e o que é necessário para não se ultrapassar mais de 2º graus em relação ao nível pré-industrial. “Vamos acelerar a transformação necessária e vamos abandonar a empatia e ter ambição. (…) Vamos provar às próximas gerações que temos visão.“ [texto do discurso]

Falou ainda o Emir do Kuwait, Sabah IV Al-Ahmad Al-Jaber Al-Sabah, e finalmente o Sheikh Hamad Bin Khalifa Al-Thani, Emir do Qatar (na foto). Este último mencionou o atual clima internacional complicado em termos económicos e de segurança e do papel que as alterações climáticas estão a ter no desenvolvimento sustentável de todos os países a todos os níveis. Lembrou que não há fronteiras e que deve ser abordado de forma integrada e onde a assistência dos países desenvolvidos aos países em desenvolvimento é fundamental. Combater as alterações climáticas implica vontade política e cooperação internacional e estamos ainda longe das aspirações das populações.

Mencionou que o Estado do Qatar (recordista mundial em emissões per capita), já sente os impactes negativos das alterações climáticas e sente também a necessidade de reduzir as suas emissões, mas que é necessário conciliar o desenvolvimento com estas preocupações. Listou os projetos de mitigação existentes e em implementação, nomeadamente os painéis fotovoltaicos que fornecem 12% da energia elétrica do centro onde esta conferência está a ter lugar. Um discurso de agradecimento e promoção do Estado do Qatar, sempre cuidadoso em não mencionar o papel dos combustíveis fósseis, tão caracterizador desta região do Golfo Árabe, nas emissões de gases causadoras das alterações climáticas.

Adenda: os textos dos discursos estão disponíveis aqui em ingês e árabe.

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por Quercus às 13:45

É tempo de acabar com os subsídios aos combustíveis fósseis

Sexta-feira, 30.11.12

No início deste ano, as associações de ambiente ficaram encantadas com as várias apresentações referindo que a remoção dos subsídios aos combustíveis fósseis era um contributo substancial para aumentar o nível de ambição da redução de gases com efeito de estufa (GEE) ainda antes de 2020. Nessa altura cerca de 110 países apoiaram a reforma dos subsídios aos combustíveis fósseis como forma de conseguir uma maior ambição na mitigação de GEE e combate às alterações climáticas.

Mas no caminho para Doha, este compromisso foi esquecido… Ontem de manhã, apesar de horas de discussão, o tópico dos subsídios aos combustíveis fósseis ainda não tinha integrado a agendas do grupo de trabalho que está a preparar o próximo acordo climático global para 2015 (ADP).

Felizmente nem todos os países se esqueceram e no fim da tarde a discussão no grupo de trabalho da ADP deixou alguma esperança no ar. Vale assim a pena hoje agradecer às Filipinas, Costa Rica e Suíça por reconhecerem esta importante oportunidade para uma redução adicional de emissões.

A Agência Internacional de Energia refere que o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis pode fechar o fosso existente entre o nível de ambição de redução de GEE prometido e o necessário até 2020, no objetivo de limitar o aquecimento global a 2ºC.

É claro que não vai ser fácil o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis, mas o primeiro passo é reconhecer o potencial e começar o trabalho. Os países ricos devem acabar com os subsídios aos produtores e tão rapidamente quanto possível. Os países em desenvolvimento devem ser apoiados na eliminação dos subsídios aos combustíveis fósseis, de forma a garantir a proteção às populações mais pobres para os pobres e promover a melhoria no acesso à energia.

Há mais de três anos que os países do G20 e da APEC (Associação de Cooperação Económica da Ásia-Pacífico) concordaram em eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis, e a conferência Rio+20 também referiu a necessidade da reforma destes subsídios. O grupo de trabalho ADP pode ajudar a elevar mais estes esforços reconhecendo a necessidade da reforma destes subsídios de combustíveis fósseis, como um meio para alcançar um maior ambição no combate às alterações climáticas mesmo antes de 2020.

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por Quercus às 18:41

ONG pedem mais ambição aos ministros e delegados presentes na COP18

Quinta-feira, 29.11.12

Um grupo de 156 organizações não governamentais de 74 países, entre as quais a Quercus, pediu hoje aos países reunidos na COP18, em Doha, no Qatar, para aumentarem significativamente os seus compromissos de redução de emissões de gases com efeito de estufa (GEE) e para acabarem com as lacunas existentes entre os objetivos de redução propostos e os necessários no âmbito do Protocolo de Quioto. Se isso não acontecer, avisam, não teremos hipótese de evitar os efeitos catastróficos das alterações climáticas.

Na carta enviada (ver em inglês, francês, ou espanhol), as ONG insistem que é fundamental acabar com as licenças de emissão excedentárias que transitaram do primeiro para o segundo período de cumprimento do Protocolo de Quioto, também conhecidas por “ar quente”. Pedem também restrições na concessão e utilização de créditos de emissão decorrentes do sistema de Implementação Conjunta (JI) e do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (CDM), um sistema que dizem não ter supervisão adequada, nem oferecer as salvaguardas previstas nas normas internacionais de direitos humanos.

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por Quercus às 17:34

Última chamada para o transporte internacional

Quinta-feira, 29.11.12

Os países têm hoje a última hipótese para fazer progressos sobre as emissões do transporte internacional marítimo e aéreo, que já contribuem com mais de 5% das emissões globais e está a crescer como mais nenhum outro setor.

Mais de 15 anos de negociações em três órgãos da ONU, incluindo a Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês) e nas associações sectoriais, Organização Internacional Marítima e na organização Internacional da Aviação Civil (IMO e ICAO, respetivamente nas sigla em inglês) têm produzido muito poucos progressos, especialmente nas medidas de mercado que podem incentivar a redução de emissões, gerar receitas para ações de mitigação e adaptação nos países em desenvolvimento e também incentivar medidas de eficiência energética nestes setores.

O principal obstáculo tem sido o desacordo sobre como conciliar os princípios da UNFCCC de partilha de responsabilidades comuns mas diferenciadas e respetivas capacidades, com os princípios e abordagens da IMO e da ICAO, com base em abordagens globais com tratamento equivalente para todos os navios e aviões, em qualquer lugar em todo o mundo.

O trabalho técnico no explorar de opções para colocar um preço sobre o carbono nestes sectores tem um bom avanço, mas a falta de acordo sobre a forma de conciliar os diferentes princípios está a bloquear o progresso. Hoje, o grupo de trabalho em abordagens sectoriais está a analisar o texto que aborda exatamente este problema, e um bom texto sobre a mesa pode ser a chave para quebrar este impasse de longa data.

Singapura propôs um texto curto e elegante que pode fornecer a base para uma orientação útil para IMO e ICAO. Os delegados em Doha devem simplesmente concordar aqui, no âmbito da UNFCCC, que as medidas para combater as emissões dos setores marítimo e de aviação devem ser prosseguidas através de abordagens globais com base nos princípios da IMO e da ICAO, tendo também em conta os princípios da UNFCCC, talvez com orientação sobre como o fazer - por exemplo, através do uso de financiamento. Esta pode ser uma solução simples que poderá ser um grande salto em frente para estes sectores cruciais no combate às alterações climáticas.

Adaptado do artigo LCA's Final Boarding Call for International Transport, publicado na quarta edição do boletim ECO, Doha, da Rede de Acção Climática, também disponível em PDF.

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por Quercus às 15:38

China divulga relatório e defende crescimento das emissões de carbono

Sexta-feira, 23.11.12
 

O principal negociador chinês, Xie Zhenhua, que estará na COP18, afirmou ao The Guardian que as emissões continuarão a subir até o PIB chinês aumentar cerca cinco vezes em relação ao valor atual. Xie Zhenhua disse que seria injusto e irracional esperar cortes nas emissões quando o PIB per capita é de US$5.000, acrescentado que os atuais países desenvolvidos atingiram o pico das suas emissões quando o PIB per capita estava entre os US$40.000 e os US$50.000. Porém, este representante chinês prevê que o pico das emissões chinesas aconteça quando o PIB per capita for metade do mundo industrializado, estabilizando e depois começando a cair.

Estas declarações acontecem na mesma altura em que é conhecido o relatório da República Popular da China, “para permitir que todas as partes compreendam a China, ações e políticas sobre as alterações climáticas, e divulgar os resultados positivos alcançados desde 2011.”

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por Quercus às 10:45

Principais investidores pedem acção global contra os perigos das alterações climáticas

Terça-feira, 20.11.12

Os maiores investidores do mundo pediram hoje aos governos que intensifiquem a sua acção contra as alterações climáticas e que aumentem o investimento em energia limpa, por forma a evitar um impacto que custaria milhões à economia. Numa carta aberta citada pela agência Reuters, o grupo de investidores institucionais que representa 22,5 biliões de dólares em activos disse que o aumento das emissões de gases com efeito estufa e um clima mais extremo estão a aumentar os riscos para o investimento global. Na véspera do arranque de mais uma Conferência do Clima, em Doha, no Qatar, os investidores pedem aos governos que reformulem as políticas climáticas e energéticas.

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por Quercus às 19:12

A história das negociações climáticas em 83 segundos

Terça-feira, 20.11.12

Como evoluíram as negociações internacionais sobre alterações climáticas? O CICERO (Center for International Climate and Environmental Research – Oslo) resume a complexidade do assunto neste animado vídeo de 83 segundos:


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por Quercus às 18:22

Banco Mundial olha para um cenário de 4ºC

Segunda-feira, 19.11.12

O estudo “Turn Down the Heat” encomendado pelo Banco Mundial ao Instituto Potsdam vem reafirmar que o mundo está no caminho de um aquecimento global de 4º Celsius até ao final deste século, se a comunidade internacional não agir sobre o problema das alterações climáticas. Este aumento de temperatura global provocaria uma alteração profunda no clima mundial – onde algumas regiões serão mais afetadas que outras – onde se inclui ondas de calor sem precedentes em muitas regiões, a diminuição das reservas de alimentos e a subida do nível do mar, afetando centenas de milhões de pessoas.

O presidente do Grupo do Banco Mundial, Jim Yong Kim afirmou que “um mundo 4ºC mais quente deve ser evitado. A falta de ação sobre as alterações climáticas ameaça tornar o mundo que os nossos filhos herdarão completamente diferente do que é hoje. As alterações climáticas são um dos maiores desafios que enfrentamos e temos de assumir a responsabilidade de agir em nome das gerações futuras, especialmente das mais pobres.”

Mas ainda há tempo para inverter esta trajetória, assim haja vontade, e o relatório aponta caminhos. “São necessários mais esforços de adaptação e mitigação, é necessário uma resposta global e uma resposta que coloque a humanidade num novo caminho de desenvolvimento climático mais inteligente de prosperidade partilhada. Mas o tempo é curto” disse ainda.

Este estudo também aponta iniciativas para este caminho diferente: transferir mais de um bilião de dólares EUA de apoio a combustíveis fósseis e outros subsídios prejudiciais para outras melhores utilizações; contabilização do “capital natural” nas contas públicas nacionais; investir em infraestruturas capazes de suportar condições meteorológicas extremas, em sistemas de transportes públicos pensados para minimizar as emissões de gases de efeito de estufa e maximizando o acesso a empregos e serviços, apoiar os sistemas nacionais e internacionais de comércio de carbono, aumentar a eficiência energética – especialmente nos edifícios – e a fração de energia produzida por fontes renováveis.

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por Quercus às 14:50

Os elementos chave da política europeia para Doha

Sábado, 17.11.12

O Parlamento Europeu encomendou um estudo ao Öko-Institute sobre o desenvolvimento das negociações climáticas tendo em vista os resultados que podem sair de Doha.

Segundo este estudo, os principais desafios na mesa para Doha são o acordo sobre um segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto, e conseguir estabelecer os fundamentos e um programa de trabalho que permita desenvolver um instrumento global e juridicamente vinculativo para todas as Partes da Convenção (leia-se Países) em 2015, de forma a entrar em vigor antes de 2020.

Os elementos importantes para Doha, na perspetiva da União Europeia:

• Alteração substancial na abordagem da divisão estrita entre as Partes do Anexo I (países desenvolvidos) e Partes fora do Anexo I (países em desenvolvimento, incluindo economias emergentes);

• Melhorar o nível de ambição, encerrando o intervalo existente entre o nível de ambição acordado e a redução de emissões necessárias para atingir o objetivo de 2ºC, encerrando a lacuna existente no nível de ambição pré-2020 dando um impulso político para aumentar o nível de ambição global, por exemplo, através  do apoio ao conceito de iniciativas de cooperação internacional;

• A adoção de uma proposta para um segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto, incluindo decisões que garantam a sua aplicação a partir de 1 de janeiro de 2013 em diante;

• A continuação do apoio financeiro após 2012;

• A continuação da implementação do Fundo Verde para o Clima;

• O desenvolvimento e a implementação de novos processos e instituições criados em Cancun (COP16) e Durban (COP17), como a Comissão de Adaptação e a Comissão do Mecanismo de Tecnologia;

• A implementação posterior das decisões tomadas em Durban relacionadas com a medição, comunicação e verificação das ações de mitigação e financiamento para países desenvolvidos e países em desenvolvimento.

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por Quercus às 19:01

Declarações do presidente da COP18 fazem temer pelo sucesso da próxima Conferência do Clima

Quinta-feira, 15.11.12

O presidente da próxima conferência da ONU sobre alterações climáticas, a COP18, considera que o “gás de xisto é uma boa notícia” e vai garantir a segurança energética global para os próximos 300 anos. Em declarações que levantam dúvidas sobre as ambições do Qatar para as negociações que começam a 26 de Novembro, em Doha, o vice-primeiro-ministro Abdullah bin Hamad Al-Attiyah defendeu que a exploração de fontes não convencionais de combustíveis fósseis seria boa para os consumidores. "É uma boa notícia, porque dá aos consumidores mais confiança no gás".

As declarações de Al-Attiyah, ex-presidente da OPEP, surgem um dia depois da Agência Internacional de Energia (IEA) ter advertido que "para evitar o aquecimento de 2 ° C, o planeta não pode consumir acima de um terço das reservas comprovadas de combustíveis fósseis até 2050, a não ser que entretanto possam ser implementadas tecnologias de captura e armazenamento de carbono”.

Para o WWF, é vital que os países entendam que o mundo precisa de afastar-se do petróleo e do gás. "Todos os governos precisam entender que o futuro não pode ser abastecido a energias fósseis. Há enormes emissões de gases de efeito estufa na produção e consumo de carvão, petróleo, gás, e a única maneira de minimizar a crise do clima é manter estes recursos no subsolo", defende Kat Watts. Para esta especialista em alterações climáticas, “o relatório da IEA é um alerta importante, mas mesmo nesse cenário há apenas 50% de hipótese de manter o planeta abaixo de um aumento da temperatura de 2 º C".

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por Quercus às 14:11

Países menos desenvolvidos acertam posição comum para a COP18

Terça-feira, 30.10.12

Negociadores de 46 Países Menos Desenvolvidos (PMD) reúnem esta semana em Nairobi para definir uma posição comum para as próximas negociações climáticas de novembro em Doha, na COP18. Segundo a agência de notícias chinesa Xinhua, as nações em desenvolvimento vão chegar a acordo sobre objectivos comuns, que incluem o estabelecimento de um novo tratado climático, financiamento e tecnologias necessárias para acelerar a transição para uma economia verde. "Os países em desenvolvimento estão de acordo que o financiamento da adaptação às mudanças climáticas, a operacionalização de um Fundo Verde do Clima e o futuro do Protocolo de Quioto são questões fundamentais que devem ter prioridade na reunião de Doha", disse Robert Ondowe, chefe da Divisão de Direito Ambiental e Convenções do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA ou UNEP, na sigla inglesa). [Fonte: África Review]

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por Quercus às 18:51





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